17/7/2015 07:48
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Se a continência pode, atos políticos deveriam ser liberados no pódio
A continência realizada por atletas brasileiros militares durante o Pan fez surgir uma questão: o gesto pode ser considerado uma atitude política? Por consequência, há quebra de regras do COI (Comitê Olímpico Internacional) para o pódio e para as competições?
Pelo artigo 50 da carta olímpica, estão proibidos os atos políticos, propaganda, e manifestações religiosas no ambiente dos Jogos, o que vale para o Pan. Só que a análise é subjetiva. Claro, se o esportista aparecer com um cartaz do patrocinador, está desrespeitada a regra. Mas outros gestos têm nuances que precisam de interpretação.
Não é a primeira vez que atletas fazem o gesto militar em Jogos: o norte-americano Jesse Owens, velocista americano, prestou a continência em 1936 no pódio quando ganhou o ouro na Olimpíada de Berlim-1936. Era um contraponto à saudação nazista feita pelos dois alemães que estavam ao seu lado, o que foi repetido por Hitler.
Naquela ocasião, claramente, as atitudes de Owens e dos alemães eram políticas. O norte-americano saudava seu país contra uma nação racista, ainda que os EUA daquela época tivessem sérias leis de segregação que inferiorizavam os negros. Ninguém foi punido. Outras continências como a do chinês Lin Dan, ouro no badminton nos Jogos de 2008, foram toleradas, embora fizessem alusão ao exército chinês e portanto ao seu governo.
Já as mãos fechadas em homenagem aos panteras negras executadas por Tommie Smith e John Carlos, na Olimpíada de 1968, foram punidas com as perdas de suas medalhas nos 100 m. Eram um protesto contra o tratamento do governo norte-americano aos negros já que, passados 32 anos desde Owens, a evolução fora insuficiente na questão da igualdade racial.
No caso dos brasileiros no Pan, houve um pedido do Exército para que os atletas prestassem a continência no pódio. O COB (Comitê Olímpico do Brasil) alega que o procedimento está em um regulamento que trata das honraria, e que isso em nada desrespeita o capítulo olímpico.
Esse regulamento militar foi transformado em lei pela primeira vez em 1983, por decreto do último presidente da ditadura João Figueiredo. Depois, o decreto foi revogado e substituído por novo regulamento mais enxuto, mas que manteve a essência. Teoricamente, os miltares são obrigados à saudação em hasteamentos de bandeiras e quando toca o hino.
Fato é que, ao prestar continência, os atletas lembram que são bancados pelo Exército. É uma óbvia alusão ao apoio das Forças Armadas ao Esporte, e fortalece a sua imagem. Portanto, pode ser considerado um ato político ou uma propaganda. Esse é o meu entendimento, embora seja provável que o COI opte pela tolerância.
Nem por isso a continência deveria ser desautorizada, na minha visão. A questão é que outras manifestações políticas – protestos em geral – também deveriam ser permitidas desde que feitas apenas com gestos. Seria demais transformar o pódio em uma passeata de cartazes ou de propaganda.
É hipócrita da parte do COI permitir manifestações de apoio a determinadas instituições governamentais e impedir protestos contra elas. Então que cada atletas tenha liberdade para se exprimir da forma que achar mais conveniente sem restrições. Para vetar atos políticos em geral, e se manter coerente, o comitê teria de desautorizar as continências. Neste caso, seria no mínimo irônico ver uma recomendação do exército brasileiro ser censurada.
Pelo artigo 50 da carta olímpica, estão proibidos os atos políticos, propaganda, e manifestações religiosas no ambiente dos Jogos, o que vale para o Pan. Só que a análise é subjetiva. Claro, se o esportista aparecer com um cartaz do patrocinador, está desrespeitada a regra. Mas outros gestos têm nuances que precisam de interpretação.
Não é a primeira vez que atletas fazem o gesto militar em Jogos: o norte-americano Jesse Owens, velocista americano, prestou a continência em 1936 no pódio quando ganhou o ouro na Olimpíada de Berlim-1936. Era um contraponto à saudação nazista feita pelos dois alemães que estavam ao seu lado, o que foi repetido por Hitler.
Naquela ocasião, claramente, as atitudes de Owens e dos alemães eram políticas. O norte-americano saudava seu país contra uma nação racista, ainda que os EUA daquela época tivessem sérias leis de segregação que inferiorizavam os negros. Ninguém foi punido. Outras continências como a do chinês Lin Dan, ouro no badminton nos Jogos de 2008, foram toleradas, embora fizessem alusão ao exército chinês e portanto ao seu governo.
Já as mãos fechadas em homenagem aos panteras negras executadas por Tommie Smith e John Carlos, na Olimpíada de 1968, foram punidas com as perdas de suas medalhas nos 100 m. Eram um protesto contra o tratamento do governo norte-americano aos negros já que, passados 32 anos desde Owens, a evolução fora insuficiente na questão da igualdade racial.
No caso dos brasileiros no Pan, houve um pedido do Exército para que os atletas prestassem a continência no pódio. O COB (Comitê Olímpico do Brasil) alega que o procedimento está em um regulamento que trata das honraria, e que isso em nada desrespeita o capítulo olímpico.
Esse regulamento militar foi transformado em lei pela primeira vez em 1983, por decreto do último presidente da ditadura João Figueiredo. Depois, o decreto foi revogado e substituído por novo regulamento mais enxuto, mas que manteve a essência. Teoricamente, os miltares são obrigados à saudação em hasteamentos de bandeiras e quando toca o hino.
Fato é que, ao prestar continência, os atletas lembram que são bancados pelo Exército. É uma óbvia alusão ao apoio das Forças Armadas ao Esporte, e fortalece a sua imagem. Portanto, pode ser considerado um ato político ou uma propaganda. Esse é o meu entendimento, embora seja provável que o COI opte pela tolerância.
Nem por isso a continência deveria ser desautorizada, na minha visão. A questão é que outras manifestações políticas – protestos em geral – também deveriam ser permitidas desde que feitas apenas com gestos. Seria demais transformar o pódio em uma passeata de cartazes ou de propaganda.
É hipócrita da parte do COI permitir manifestações de apoio a determinadas instituições governamentais e impedir protestos contra elas. Então que cada atletas tenha liberdade para se exprimir da forma que achar mais conveniente sem restrições. Para vetar atos políticos em geral, e se manter coerente, o comitê teria de desautorizar as continências. Neste caso, seria no mínimo irônico ver uma recomendação do exército brasileiro ser censurada.
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Postado por Marcos - 4455 visitas - Fonte: Blog Rodrigo Mattos
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