15/5/2015 14:43
Nas últimas semanas a situação financeira dos clubes brasileiros está em evidência. Segundo meu estudo os 20 maiores clubes em receitas do Brasil fecharam 2014 com perdas de R$ 598 milhões, as maiores da história. As dívidas somaram R$ 6,3 bilhões e as receitas caíram 1,4%.
Nesse cenário o tema recorrente é a clara constatação que os clubes têm claros problemas de gestão. Um dos mais graves é a questão fiscal, que hoje representa 34% do endividamento, um volume de R$ 2,1 bilhões. O Governo fala no refinanciamento de R$ 4 bilhões, portanto o rombo deve ser bem maior.
Há ainda pesadas dívidas trabalhistas, que são verdadeiros entraves ao desenvolvimento dos clubes. Tanto as dívidas fiscais, como as trabalhistas limitam o grau de investimentos no futebol brasileiro.
Com tudo isso e analisando os números dos clubes da última década pude perceber claramente que o maior problema do futebol brasileiro é não conseguir converte os custos do futebol em investimento. Para isso é necessário utilizar o conceito de retorno sobre investimento, fazendo com que os valores aplicados no futebol se convertam em novos recursos, de preferência recorrentes. O famoso ciclo virtuoso de geração de receitas.
Em 2014, os 20 clubes analisados apresentaram custos com futebol de R$ 2,4 bilhão representando 78% das receitas. Esse indicador mostra que os clubes estão trabalhando de forma alavancada, já que o limite máximo recomendado é de 70%. Há casos de clubes que estão com indicadores acima de 90%, como Santos, São Paulo, Corinthians e Atlético-MG, um desequilíbrio total.
Na prática isso significa que nossos clubes estão gastando bilhões de reais por ano com futebol, sem que haja um retorno que garanta tamanho custo. As receitas não crescem e os clubes contraem empréstimos para poder sobreviver As despesas financeiras dos clubes mostram a alavancagem em que operam e provam que o modelo atual os estrangulou.
Muitos clubes gastam entre R$ 25 milhões R$ 40 milhões por ano com despesas financeiras para a operação de um departamento de futebol cada vez mais caro e menos rentável. Já deveríamos ter implementado um controle efetivo de cada centavo investido no futebol, permitindo avaliar a performance dos atletas, comissão técnica e executivos. O exemplo de Corinthians e São Paulo mostram como os clubes estão alavancados e sem capacidade de sustentar todo esse custo.
O Corinthians é o maior custo com futebol do Brasil, com R$ 238 milhões gastos no ano passado, ou 92% de suas receitas. Com esse índice obviamente fechou com perdas enormes, R$ 97 milhões, com forte impacto de suas despesas financeiras de R$ 41 milhões. E tudo isso com queda acentuada nas receitas.
O mesmo ocorreu com o São Paulo, segundo maior custo com futebol do Brasil com R$ 236 milhões gastos, também 92% de suas receitas e perdas de R$ 100 milhões. As despesas financeiras dobraram em 2014 e ultrapassaram R$ 36 milhões, mesmo com grande redução do faturamento.
Os exemplos comprovam que os clubes financiam sua atividade caríssima com empréstimos. E todo esse investimento não se sustenta pois faltam receitas novas, em um mercado estagnado desde 2012.
Pelos meus cálculos para esse custo com futebol que temos no Brasil, nossas receitas deveriam crescer em 30%! Uma diferença brutal.
Teríamos que estar em outro patamar, com mais de R$ 900 milhões novos com patrocínios, licenciamentos, consumo nos estádios e novos ganhos com diferentes plataformas de mídia. Há muitos recursos a serem gerados e também custos que podem ser reduzidos.
É possível alterar o cenário de caos financeiro, transformando esse pesado custo com futebol em um efetivo investimento. Essa nova visão gerará mais retorno para os clubes, seus parceiros e torcedores, que terão times mais competitivos e marcas muito mais valiosas.
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É possível alterar o cenário de caos financeiro, transformando esse pesado custo com futebol dos clubes brasileiros em um efetivo investimento
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Nesse cenário o tema recorrente é a clara constatação que os clubes têm claros problemas de gestão. Um dos mais graves é a questão fiscal, que hoje representa 34% do endividamento, um volume de R$ 2,1 bilhões. O Governo fala no refinanciamento de R$ 4 bilhões, portanto o rombo deve ser bem maior.
Há ainda pesadas dívidas trabalhistas, que são verdadeiros entraves ao desenvolvimento dos clubes. Tanto as dívidas fiscais, como as trabalhistas limitam o grau de investimentos no futebol brasileiro.
Com tudo isso e analisando os números dos clubes da última década pude perceber claramente que o maior problema do futebol brasileiro é não conseguir converte os custos do futebol em investimento. Para isso é necessário utilizar o conceito de retorno sobre investimento, fazendo com que os valores aplicados no futebol se convertam em novos recursos, de preferência recorrentes. O famoso ciclo virtuoso de geração de receitas.
Em 2014, os 20 clubes analisados apresentaram custos com futebol de R$ 2,4 bilhão representando 78% das receitas. Esse indicador mostra que os clubes estão trabalhando de forma alavancada, já que o limite máximo recomendado é de 70%. Há casos de clubes que estão com indicadores acima de 90%, como Santos, São Paulo, Corinthians e Atlético-MG, um desequilíbrio total.
Na prática isso significa que nossos clubes estão gastando bilhões de reais por ano com futebol, sem que haja um retorno que garanta tamanho custo. As receitas não crescem e os clubes contraem empréstimos para poder sobreviver As despesas financeiras dos clubes mostram a alavancagem em que operam e provam que o modelo atual os estrangulou.
Muitos clubes gastam entre R$ 25 milhões R$ 40 milhões por ano com despesas financeiras para a operação de um departamento de futebol cada vez mais caro e menos rentável. Já deveríamos ter implementado um controle efetivo de cada centavo investido no futebol, permitindo avaliar a performance dos atletas, comissão técnica e executivos. O exemplo de Corinthians e São Paulo mostram como os clubes estão alavancados e sem capacidade de sustentar todo esse custo.
O Corinthians é o maior custo com futebol do Brasil, com R$ 238 milhões gastos no ano passado, ou 92% de suas receitas. Com esse índice obviamente fechou com perdas enormes, R$ 97 milhões, com forte impacto de suas despesas financeiras de R$ 41 milhões. E tudo isso com queda acentuada nas receitas.
O mesmo ocorreu com o São Paulo, segundo maior custo com futebol do Brasil com R$ 236 milhões gastos, também 92% de suas receitas e perdas de R$ 100 milhões. As despesas financeiras dobraram em 2014 e ultrapassaram R$ 36 milhões, mesmo com grande redução do faturamento.
Os exemplos comprovam que os clubes financiam sua atividade caríssima com empréstimos. E todo esse investimento não se sustenta pois faltam receitas novas, em um mercado estagnado desde 2012.
Pelos meus cálculos para esse custo com futebol que temos no Brasil, nossas receitas deveriam crescer em 30%! Uma diferença brutal.
Teríamos que estar em outro patamar, com mais de R$ 900 milhões novos com patrocínios, licenciamentos, consumo nos estádios e novos ganhos com diferentes plataformas de mídia. Há muitos recursos a serem gerados e também custos que podem ser reduzidos.
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Postado por fyamma fernandes nogueira - 3459 visitas - Fonte: LANCE!Net
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