Bruno Bertucci, um ex-lateral-esquerdo que marcou sua passagem pelo Corinthians, compartilha reminiscências emocionantes sobre o dia em que conheceu Ronaldo Fenômeno. O ano era 2009, um período de renascimento para o clube, que voltava à elite do futebol após enfrentar o desafio da Série B. Para Bertucci, um jovem talento da base na época, a notícia de que se apresentaria para treinar com o time profissional foi um marco em sua carreira: "Vá ao Parque São Jorge e se apresente para treinar com o time profissional".
Mesmo fazendo parte do elenco que conquistou o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil, Bertucci não conseguiu se estabelecer como titular. Com a concorrência do experiente André Santos e posteriormente de Roberto Carlos, sua oportunidade de brilhar foi limitada a apenas quatro partidas. Ele reflete sobre isso: "Acredito que eu poderia ter tido uma oportunidade melhor no Corinthians para mostrar mais meu futebol. Mas também poderia ter tido mais confiança".
A trajetória de Bertucci o levou a mercados menos tradicionais na Europa, onde atuou na Suíça e no Azerbaijão, alcançando até US$ 30 mil mensais em salários. Contudo, os altos e baixos foram constantes; ele acumulou riquezas mas também enfrentou a perda rápida desse patrimônio devido a investimentos precipitados. “Eu tinha tudo, mas não tinha nada, porque nada estava quitado”, lamenta o ex-jogador, refletindo sobre seu estilo de vida extravagante durante esse período.
O que parecia ser uma ascensão promissora culminou em um ponto de virada Drástico em 2017, quando a carreira de Bertucci foi interrompida por uma suspensão de dois anos devido a doping. "Pareci perder tudo, mas não tinha a intenção de desistir", lembra ele, revelando que após a suspensão, as portas do mercado de trabalho no futebol estavam praticamente fechadas.
No entanto, um novo começo se apresentou a Bertucci quando ele decidiu se envolver em um projeto de formação de jovens jogadores na Ronaldo Academy. Com um salário inicial de R$ 12,50 por hora, ele encontrou um novo propósito. "Estava no fundo do poço, mas não podia me dar o luxo de ser derrotado", destaca, emocionado. Ele agora é o proprietário de duas escolinhas em São Bernardo do Campo, buscando afastar as crianças das telas e conectá-las ao esporte.
A experiência como pai também trouxe uma nova perspectiva. "Quando minha filha Maria Clara nasceu, foi como se tudo que passei tivesse valido a pena. Ela é um presente de Deus", compartilha. O novo papel o inspirou a ser o melhor pai possível e a refletir sobre sua jornada de vida que, apesar dos desafios e erros, agora está repleta de esperança e resiliência.



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