8/3/2022 11:43
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Entenda por que o Corinthians se tornou referência no futebol feminino
Desde 2018 com um projeto próprio na categoria, encabeçado pela diretora Cris Gambaré, as Brabas são referências dentro e fora de campo
Não existe maior referência no futebol feminino brasileiro atualmente do que o Sport Club Corinthians Paulista. Com três títulos conquistados em três campeonatos disputados na última temporada, as meninas do Timão faz valer o rótulo de 'As Brabas'.
Mas essa bravura não é somente reflexo do desempenho do time dentro das quatro linhas, mas de toda a construção de um projeto, que teve início em 2016, em uma parceria com o Osasco Audax, e seguiu de forma individual a partir de 2018.
A CARA DAS BRABAS
Hoje, sobrando na categoria, os rostos de muitas mulheres refletem no sucesso do futebol feminino corintiano, mas uma em especial foi fundamental para que a modalidade fosse tratada com o devido respeito, não só de palavras, mas com ações de planejamento: a diretora Cristiane Gambaré.
Ex-conselheira do clube alvinegro, função que exerceu durante 11 anos, a empresária foi convidada em 2015 para formatar um projeto de futebol feminino, que iniciou junto com o Audax, mas que teve a profissional mantida na transição para que a modalidade fosse cuidada de forma individual pelo Corinthians, a partir de 2018.
Esse processo de transição foi acompanhado de perto por um dos maiores nomes do futebol feminino brasileiro: Milene Domingues. Corintiana declarada, ela foi atleta do Timão no fim da década de 90 e com a individualização da administração da categoria pelo clube do Parque São Jorge se tornou embaixadora do Timão na modalidade.
Milene certifica o protagonismo de Gambaré na elaboração e efetivação de um projeto de bravura.
"Um nome essencial disso tudo é a nossa diretora, Cristiane Gambaré. Ela que move tudo, "puxa a carroça" e todas nós vamos atrás. Ela é a nossa comandante. Muito trabalho e resultados. Uma máquina que todas as engrenagens tem que estar juntas, ninguém é melhor do que ninguém, ninguém tem mais poder ou mais valor. São todos juntos por um só objetivo. Isso tem dado certo, dado títulos", disse Milene Domingues com exclusividade ao LANCE!.
PROJETO RESPEITOSO E RESPEITADO
Ainda que muito rapidamente o Corinthians tenha conquistado títulos no futebol feminino desde 2016, o projeto corintiano, liderado por Cris Gambaré, foi muito além de taças, mas de avanços na modalidade, dando condições para as atletas e sempre elevando o patamar da categoria.
Os primeiros passos foram de manutenção da comissão técnica. Arthur Elias é o treinador do time feminino do Corinthians desde a parceria com o Audax e hoje sobra na sua função na categoria. Além dele, há mais de 10 profissionais com funções distintas, entre auxiliares e supervisores, passando por preparadores físicos e até analistas de desempenho, para aperfeiçoar o desenvolvimento das atletas.
A base dos elencos também sofrem pouquíssimas mudanças de uma temporada a outra. Ainda que tenha algumas baixas, elas são muito pequenas de acordo de ano a ano. Algumas atletas do Timão estão há temporadas consecutivas defendendo a equipe.
Paralelamente a isso, há um investimento em infraestrutura, com campo de treinamento próprio no CT Joaquim Grava, academia do Parque São Jorge, e também na formação, com categorias sub-20 e sub-17 para o time feminino, disputando competições, e com o intuito maior de manter a competitividade da instituição na modalidade.
Mas essa construção não foi feita do dia para a noite, como relata Milene Domingues.
"É muito trabalho, trabalho de formiguinha mesmo, entre todos. Trabalho entre uma ótima comissão, confiança nela, nas jogadoras eles buscam e querem, confiança das jogadoras, nesse projeto. Por muitíssimas vezes não tem o dinheiro que elas merecem, mas infelizmente não temos, mas elas (jogadoras) acreditam no projeto, em trabalhar nas condições que elas mereçam, e isso o Corinthians dá, essa infraestrutura, mas também que foi ganhando ao longo desses anos de trabalho", destaca a embaixadora corintiana.
Mas os maiores passos dados pela administração do futebol feminino no Corinthians foi o tratamento das jogadoras como profissionais, e não meras prestadoras de serviço, modificando o modelo de contratação em 2020, migrando as Brabas na categoria CLT, resguardando pagamento de direitos de imagem, multa rescisória, entre outros direitos que há tempos são aplicados na categoria masculina.
"O Corinthians Feminino virou referência, não somente pelo o que ele faz dentro de campo, mas também pela qualidade que a diretoria Cris Gambaré dá para suas atletas, como, por exemplo, carteira assinada para todas. Foi o primeiro time a fazer isso de forma clara e justa. Tem todo um envolvimento por parte do Corinthians, que não trata como obrigatoriedade ter o time feminino, mas, sim, tem por amor mesmo, e sabe que o público já está aderindo a ver as 'brabinhas' em campo", pontuou a jornalista Marcella Azevedo, da ESPN, em contato com a reportagem.
"Fora que, não é fácil um time ser campeão de tudo, por muitos anos. O sarrafo do Corinthians é alto demais e não tem como não ser referência no Futebol Feminino", acrescentou Marcella.
"O sucesso do Corinthians feminino está atrelado ao comprometimento com o projeto. O clube abraçou, de fato. Não só abraçou, como estruturou. E o resultado a gente vê em campo, com uma equipe a ser batida no futebol brasileiro, e me arrisco a dizer no sul-americano também, com o desempenho da equipe na última Libertadores, muito aquém das outras equipes", analisa a jornalista Jordana Araújo, da rádio Band News FM.
"Tem muito a ver com o comprometimento da diretoria com o projeto do futebol feminino e a forma como é conduzido e a liberdade que se dá a diretoria para conduzir esse projeto. Eu acho que o segredo é comprometimento e respeito ao trabalho da Cris Gambaré, da comissão técnica, que tem estrutura e respaldo", complementa Jordana.
IDEOLOGIA EXPLÍCITA
Com todo o modelo de trabalho implementado e tendo muito sucesso, o Corinthians dá um recado claro para o futebol feminino brasileiro: é fundamental que valores sejam agregados à modalidade para que ela possa ser valorizada.
E no caso desses valores, eles vão além da parte financeira que, mesmo com todos os avanços corintianos nos últimos anos, está longe de ser o ideal para o futebol feminino. A inclusão de departamentos específicos e qualificados ao time feminino, uma comissão técnica encorpada e até mesmo as categorias de base para as meninas são passos fundamentais para o avanço da profissão no Brasil, algo que agrega muito, e que ainda é escasso na modalidade em um país que se diz do futebol.
"Eu sinto que isso ainda falta ao futebol feminino do Brasil, que é sustentar projetos de futebol feminino. Não é só ter um time pra dizer que tem, mas investir pra colher lá na frente. O time feminino do Corinthians ainda não é autossustentável, mas caminha pra isso, o que é incrível", destaca a jornalista Isebelly Morais, do Grupo Bandeirantes de Comunicação.
O Corinthians deu o primeiro passo e alcançou a mais alta prateleira do futebol feminino nacional, mostrou que há muito o que extrair da categoria e os frutos estão sendo colhidos, com patrocínios e ações específicos, recordes de públicos em partidas decisivas e uma presença e participação cada vez maior de todos do certame, dos torcedores à diretoria.
#corinthians #timao #alvinegro #futebolfeminino #referencia
Mas essa bravura não é somente reflexo do desempenho do time dentro das quatro linhas, mas de toda a construção de um projeto, que teve início em 2016, em uma parceria com o Osasco Audax, e seguiu de forma individual a partir de 2018.
A CARA DAS BRABAS
Hoje, sobrando na categoria, os rostos de muitas mulheres refletem no sucesso do futebol feminino corintiano, mas uma em especial foi fundamental para que a modalidade fosse tratada com o devido respeito, não só de palavras, mas com ações de planejamento: a diretora Cristiane Gambaré.
Ex-conselheira do clube alvinegro, função que exerceu durante 11 anos, a empresária foi convidada em 2015 para formatar um projeto de futebol feminino, que iniciou junto com o Audax, mas que teve a profissional mantida na transição para que a modalidade fosse cuidada de forma individual pelo Corinthians, a partir de 2018.
Esse processo de transição foi acompanhado de perto por um dos maiores nomes do futebol feminino brasileiro: Milene Domingues. Corintiana declarada, ela foi atleta do Timão no fim da década de 90 e com a individualização da administração da categoria pelo clube do Parque São Jorge se tornou embaixadora do Timão na modalidade.
Milene certifica o protagonismo de Gambaré na elaboração e efetivação de um projeto de bravura.
"Um nome essencial disso tudo é a nossa diretora, Cristiane Gambaré. Ela que move tudo, "puxa a carroça" e todas nós vamos atrás. Ela é a nossa comandante. Muito trabalho e resultados. Uma máquina que todas as engrenagens tem que estar juntas, ninguém é melhor do que ninguém, ninguém tem mais poder ou mais valor. São todos juntos por um só objetivo. Isso tem dado certo, dado títulos", disse Milene Domingues com exclusividade ao LANCE!.
PROJETO RESPEITOSO E RESPEITADO
Ainda que muito rapidamente o Corinthians tenha conquistado títulos no futebol feminino desde 2016, o projeto corintiano, liderado por Cris Gambaré, foi muito além de taças, mas de avanços na modalidade, dando condições para as atletas e sempre elevando o patamar da categoria.
Os primeiros passos foram de manutenção da comissão técnica. Arthur Elias é o treinador do time feminino do Corinthians desde a parceria com o Audax e hoje sobra na sua função na categoria. Além dele, há mais de 10 profissionais com funções distintas, entre auxiliares e supervisores, passando por preparadores físicos e até analistas de desempenho, para aperfeiçoar o desenvolvimento das atletas.
A base dos elencos também sofrem pouquíssimas mudanças de uma temporada a outra. Ainda que tenha algumas baixas, elas são muito pequenas de acordo de ano a ano. Algumas atletas do Timão estão há temporadas consecutivas defendendo a equipe.
Paralelamente a isso, há um investimento em infraestrutura, com campo de treinamento próprio no CT Joaquim Grava, academia do Parque São Jorge, e também na formação, com categorias sub-20 e sub-17 para o time feminino, disputando competições, e com o intuito maior de manter a competitividade da instituição na modalidade.
Mas essa construção não foi feita do dia para a noite, como relata Milene Domingues.
"É muito trabalho, trabalho de formiguinha mesmo, entre todos. Trabalho entre uma ótima comissão, confiança nela, nas jogadoras eles buscam e querem, confiança das jogadoras, nesse projeto. Por muitíssimas vezes não tem o dinheiro que elas merecem, mas infelizmente não temos, mas elas (jogadoras) acreditam no projeto, em trabalhar nas condições que elas mereçam, e isso o Corinthians dá, essa infraestrutura, mas também que foi ganhando ao longo desses anos de trabalho", destaca a embaixadora corintiana.
Mas os maiores passos dados pela administração do futebol feminino no Corinthians foi o tratamento das jogadoras como profissionais, e não meras prestadoras de serviço, modificando o modelo de contratação em 2020, migrando as Brabas na categoria CLT, resguardando pagamento de direitos de imagem, multa rescisória, entre outros direitos que há tempos são aplicados na categoria masculina.
"O Corinthians Feminino virou referência, não somente pelo o que ele faz dentro de campo, mas também pela qualidade que a diretoria Cris Gambaré dá para suas atletas, como, por exemplo, carteira assinada para todas. Foi o primeiro time a fazer isso de forma clara e justa. Tem todo um envolvimento por parte do Corinthians, que não trata como obrigatoriedade ter o time feminino, mas, sim, tem por amor mesmo, e sabe que o público já está aderindo a ver as 'brabinhas' em campo", pontuou a jornalista Marcella Azevedo, da ESPN, em contato com a reportagem.
"Fora que, não é fácil um time ser campeão de tudo, por muitos anos. O sarrafo do Corinthians é alto demais e não tem como não ser referência no Futebol Feminino", acrescentou Marcella.
"O sucesso do Corinthians feminino está atrelado ao comprometimento com o projeto. O clube abraçou, de fato. Não só abraçou, como estruturou. E o resultado a gente vê em campo, com uma equipe a ser batida no futebol brasileiro, e me arrisco a dizer no sul-americano também, com o desempenho da equipe na última Libertadores, muito aquém das outras equipes", analisa a jornalista Jordana Araújo, da rádio Band News FM.
"Tem muito a ver com o comprometimento da diretoria com o projeto do futebol feminino e a forma como é conduzido e a liberdade que se dá a diretoria para conduzir esse projeto. Eu acho que o segredo é comprometimento e respeito ao trabalho da Cris Gambaré, da comissão técnica, que tem estrutura e respaldo", complementa Jordana.
IDEOLOGIA EXPLÍCITA
Com todo o modelo de trabalho implementado e tendo muito sucesso, o Corinthians dá um recado claro para o futebol feminino brasileiro: é fundamental que valores sejam agregados à modalidade para que ela possa ser valorizada.
E no caso desses valores, eles vão além da parte financeira que, mesmo com todos os avanços corintianos nos últimos anos, está longe de ser o ideal para o futebol feminino. A inclusão de departamentos específicos e qualificados ao time feminino, uma comissão técnica encorpada e até mesmo as categorias de base para as meninas são passos fundamentais para o avanço da profissão no Brasil, algo que agrega muito, e que ainda é escasso na modalidade em um país que se diz do futebol.
"Eu sinto que isso ainda falta ao futebol feminino do Brasil, que é sustentar projetos de futebol feminino. Não é só ter um time pra dizer que tem, mas investir pra colher lá na frente. O time feminino do Corinthians ainda não é autossustentável, mas caminha pra isso, o que é incrível", destaca a jornalista Isebelly Morais, do Grupo Bandeirantes de Comunicação.
O Corinthians deu o primeiro passo e alcançou a mais alta prateleira do futebol feminino nacional, mostrou que há muito o que extrair da categoria e os frutos estão sendo colhidos, com patrocínios e ações específicos, recordes de públicos em partidas decisivas e uma presença e participação cada vez maior de todos do certame, dos torcedores à diretoria.
#corinthians #timao #alvinegro #futebolfeminino #referencia
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Postado por
Carlos E. dos Santos
-
2205 visitas - Fonte: Lance!
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