8/12/2015 17:11
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ESPECIAL: destaques táticos e melhores do Brasileirão 2015
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O Brasileirão de 2015 termina com um saldo estranho: ao mesmo tempo que teve o recorde de 32 técnicos demitidos, termina com grandes jogos - Corinthians 4x3 Sport, Santos 4x0 Atlético-MG, Palmeiras 4x2 Flamengo, Grêmio 5x0 Internacional, entre outros - e boas médias de público.
Uma curiosa combinação entre a decepção e euforia tão típica do brasileiro. O saldo financeiro e administrativo aponta evolução, ainda que a CBF caminhe distante, em um mundo aparte onde a corrupção e o poder prevalece. Reflexo do país como um todo.
O saldo tático foi positivo: o jogo está mais rápido e com mais passes, muito pela quase extinção do "volante de marcação". Os espaços, cada vez mais raros, são devorados com velocidade e intensidade como o Corinthians, o mais estável e campeão com recorde nos pontos corridos.
O já conhecido 4-1-4-1 se defendia com todos atrás da bola, pontas retornando e marcação zonal. Trabalho coletivo para preencher os espaços e ser surpreendido pelos adversários. Para isso foi preciso convencer, conscientizar da importância e da necessidade de ajudar sem a bola.
Jadson e Renato Augusto giravam pelo campo todo e faziam o Corinthians jogar com intensa movimentação. Sem guardar lugar, pontas e meias quebram a marcação do adversário e podem tocar a bola com muita gente livre, como o vídeo. O Corinthians do 2º turno propôs e foi ofensivo. Mereceu o título.
O Galo fez 1º turno bom forçando o jogo pelos lados, com laterais que avançavam muito e cruzavam para Pratto. Ou com Rafael Carioca, bem quando atuou de 1º volante no 4-1-4-1 ou 4-2-3-1 de Levir. O time que nunca parava de agredir caiu quando o físico pesou e a linha de defesa muito alta cobrou seu preço.
O Grêmio de Roger foi exemplo de modernidade: intensidade e troca rápida de passes, como o golaço de Douglas no Mineirão, para sair rápido com a bola. Era comum ver toques de primeira, com o camisa 10 recuando e todos encurtando o campo numa grande "roda de bobinho", como o técnico definiu.
Osorio foi quem mais treinou a salada que foi o São Paulo em 2015. Enquanto se debatia sobre as canetas, Osorio implementava metodologia de treino e conceitos que o Brasil ainda não compreende. Outro que sofre resistência é Argel, com sua coletiva embrutecida e 2º melhor campanha no returno. Estamos compreendendo bem os técnicos?
Dorival Jr. chegou no Santos sob descrédito e resgatou o DNA ofensivo do clube com futebol moderno e envolvente, o mais bonito do país no ano. Gabriel, Marquinhos e Ricardo se movimentavam o tempo todo enquanto Lucas Lima girava para passar com qualidade. Importante ressaltar o papel tático dos laterais Zeca e Victor Ferraz, quase pontas dentro da área. O Santos "jogou como Brasil".
Times de investimento médio como Atlético-PR, Ponte Preta, Sport e Chapecoense equilibraram os confrontos com os grandes buscando técnicos que prezam por um modelo de jogo coletivo e moderno. Basta ver o trabalho de Milton Mende, Eduardo Baptista ou Falcão no Sport: defesa por zona, os 10 participando, preferência por volantes de bom passe e intensidade.
Mitos como "atacante não pode voltar pra macar" e "sem volante brucutu a defesa fica exposta" vão perdendo força. O torcedor reflete, procura conhecimento e questiona tudo. Isso só é positivo e deve ser acompanhado por todos.
Mano Menezes no Cruzeiro é um bom exemplo: as antigas desculpas como "falta de jogador", "faltou raça" e "tá tudo errado" foram logo abaixo com o excelente trabalho da comissão que investiu em análise de desempenho, treinos táticos e sistêmicos e clareza com a imprensa. Difícil julgá-lo por aceitar 2 milhões por mês na China.
O jogador também é parte desse processo. Cruza o braço pra cobrar melhoria e vai também aceita novos tipos de trabalho. Ou entende que o rachão toma um tempo de preparação muito precioso para quem joga de quarta e domingo.
Avaí, Joinville e Goiás atrasaram salários e pagaram com o rebaixamento - quase o Coxa vai pela mesma linha. O Vasco viu Eurico Miranda destilar populismo e atraso e o bom trabalho de Jorginho não foi o suficiente. As gestões também vão entendo a necessidade de planejar, ter finanças em dia. É válido questionar Paulo Nobre sobre os ingressos caros. Mas também é preciso entender que o futebol, em 2015, é caro. E que para ganhar é preciso gastar o que foi gasto com Dudu, artilheiro e autor dos 2 gols na final da Copa do Brasil.
É possível entender o Brasileirão de 2015 como um período de transição. O futebol jogado vai avançando em termos mundiais enquanto novos técnicos surgem. Os clubes e torcedores vão entendendo novas necessidades e outros lados também se adaptam. Melhor ainda se isso não deixasse de lado o lúdico, festivo e competitivo que o futebol permite.
O destaque: Jadson, Renato Augusto e o meio-campo no campeão Corinthians.
O técnico: Tite. Dorival, Mano, Levir e Roger também merecem reconhecimento.
O pior técnico: Celso Roth e Doriva. Um completo atraso.
A decepção: Vanderlei Luxemburgo parece ter encerrado sua carreira no Brasil após o Flamengo que nunca decolou e o péssimo trabalho no Cruzeiro.
A revelação: Gabriel Jesus no campo e Roger Machado na área técnica.
A seleção do campeonato pelo blog: D. Fernandes; V. Ferraz, Gil, Jemerson e Renê; R. Carioca, Maicon e R. Augusto; Jadson, Luan e R. Oliveira. Técnico: Tite.
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O Brasileirão de 2015 termina com um saldo estranho: ao mesmo tempo que teve o recorde de 32 técnicos demitidos, termina com grandes jogos - Corinthians 4x3 Sport, Santos 4x0 Atlético-MG, Palmeiras 4x2 Flamengo, Grêmio 5x0 Internacional, entre outros - e boas médias de público.
Uma curiosa combinação entre a decepção e euforia tão típica do brasileiro. O saldo financeiro e administrativo aponta evolução, ainda que a CBF caminhe distante, em um mundo aparte onde a corrupção e o poder prevalece. Reflexo do país como um todo.
O saldo tático foi positivo: o jogo está mais rápido e com mais passes, muito pela quase extinção do "volante de marcação". Os espaços, cada vez mais raros, são devorados com velocidade e intensidade como o Corinthians, o mais estável e campeão com recorde nos pontos corridos.
O já conhecido 4-1-4-1 se defendia com todos atrás da bola, pontas retornando e marcação zonal. Trabalho coletivo para preencher os espaços e ser surpreendido pelos adversários. Para isso foi preciso convencer, conscientizar da importância e da necessidade de ajudar sem a bola.
Jadson e Renato Augusto giravam pelo campo todo e faziam o Corinthians jogar com intensa movimentação. Sem guardar lugar, pontas e meias quebram a marcação do adversário e podem tocar a bola com muita gente livre, como o vídeo. O Corinthians do 2º turno propôs e foi ofensivo. Mereceu o título.
O Galo fez 1º turno bom forçando o jogo pelos lados, com laterais que avançavam muito e cruzavam para Pratto. Ou com Rafael Carioca, bem quando atuou de 1º volante no 4-1-4-1 ou 4-2-3-1 de Levir. O time que nunca parava de agredir caiu quando o físico pesou e a linha de defesa muito alta cobrou seu preço.
O Grêmio de Roger foi exemplo de modernidade: intensidade e troca rápida de passes, como o golaço de Douglas no Mineirão, para sair rápido com a bola. Era comum ver toques de primeira, com o camisa 10 recuando e todos encurtando o campo numa grande "roda de bobinho", como o técnico definiu.
Osorio foi quem mais treinou a salada que foi o São Paulo em 2015. Enquanto se debatia sobre as canetas, Osorio implementava metodologia de treino e conceitos que o Brasil ainda não compreende. Outro que sofre resistência é Argel, com sua coletiva embrutecida e 2º melhor campanha no returno. Estamos compreendendo bem os técnicos?
Dorival Jr. chegou no Santos sob descrédito e resgatou o DNA ofensivo do clube com futebol moderno e envolvente, o mais bonito do país no ano. Gabriel, Marquinhos e Ricardo se movimentavam o tempo todo enquanto Lucas Lima girava para passar com qualidade. Importante ressaltar o papel tático dos laterais Zeca e Victor Ferraz, quase pontas dentro da área. O Santos "jogou como Brasil".
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Mitos como "atacante não pode voltar pra macar" e "sem volante brucutu a defesa fica exposta" vão perdendo força. O torcedor reflete, procura conhecimento e questiona tudo. Isso só é positivo e deve ser acompanhado por todos.
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É possível entender o Brasileirão de 2015 como um período de transição. O futebol jogado vai avançando em termos mundiais enquanto novos técnicos surgem. Os clubes e torcedores vão entendendo novas necessidades e outros lados também se adaptam. Melhor ainda se isso não deixasse de lado o lúdico, festivo e competitivo que o futebol permite.
O destaque: Jadson, Renato Augusto e o meio-campo no campeão Corinthians.
O técnico: Tite. Dorival, Mano, Levir e Roger também merecem reconhecimento.
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Postado por
Edson Alan Melo
-
3630 visitas - Fonte: Globo Esporte
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