7/8/2015 07:59

Pai' do Terrão, Fagner revê origem e mira 100º jogo pelo Timão

Lateral do Corinthians visita campinhos do Parque São Jorge e encontra garotos que sonham em repetir sucesso. Titular absoluto, ele relembra início e dá conselhos

Pai' do Terrão, Fagner revê origem e mira 100º jogo pelo Timão
Fagner reviveu, pela primeira vez, o caminho que fazia antes de realizar o sonho de virar jogador. Do estacionamento do Parque São Jorge até os campinhos, foi parado diversas vezes para tirar fotos. Dificuldade que nem se compara quando tinha apenas 9 anos: pegava sozinho dois ônibus, um metrô e fazia boa caminhada a pé até o clube. A persistência também seria útil dentro de campo...

– Um dia que meu pai estava aqui, chegou um rapaz e perguntou a ele se eu tinha algum padrinho ou alguém por trás. Ele disse que não, que o pessoal estava falando para eu vir treinar e estávamos deixando acontecer. O cara falou que era melhor ir embora, que eu não daria certo – disse o lateral-direito, em entrevista exclusiva ao LANCE!.

O cara estava errado. No “Terrão”, que começou a ser extinto em 2008, o então garoto se formou e hoje é titular absoluto do Corinthians. Coincidentemente, durante sua visita, encontrou-se com crianças do sub-10 do Corinthians, que treinam onde ele deu o primeiro passo. Entre olhos admirados, pedidos de fotos e até perfis de “marrentos”, ele deu o recado.

– Tem de dar muito valor. Às vezes, o menino vem da base muito paparicado. No Brasil é assim. Tem de dar valor para o que tem agora, não quando for para outro clube sem a estrutura do Corinthians. Tem de ouvir os experientes, não chegar achando que sabe tudo – alertou o jogador de 26 anos, que pretende levar ao local seu filho Henrique, de cinco anos, para relembrar as origens.

Para Fagner dar certo, porém, demorou. Na base, teve de disputar um torneio contra o próprio Corinthians para lhe darem valor. Subiu em 2006, realizou apenas sete jogos como profissional e foi para o PSV, da Holanda.

Ainda teve duas passagens pelo Vasco e outra pelo Wolfsburg, da Alemanha, até ser recontratado por empréstimo no ano passado. No início deste ano, o Timão comprou 50% de seus direitos econômicos e firmou contrato por quatro temporadas.

Na nova fase, a regularidade virou sua marca. O jogador já vai fazer o 98º jogo com a camisa alvinegra neste domingo, diante do São Paulo.

– Graças a Deus, estou bem para ter essa sequência. Ao mesmo tempo, eu quero mais, não acho que está bom. Eu procuro estar aprendendo todo dia, para não parar nos 100. Quero chegar nos 150, 200, e deixar meu nome na história do clube. Espero que com títulos. Eu quero deixar meu nome no clube – finaliza.
O TERRÃO

Foi utilizado por várias décadas, desde 1980, como campo das peneiras do Corinthians no Parque São Jorge. Jogadores como Ronaldo Giovanelli, Sylvinho, Kleber, Edu Gaspar, Zé Elias, Dinei, Gil, Viola e Jô surgiram antes de Fagner subir. Willian e Fabrício (lateral do Cruzeiro) estiveram na mesma leva que o lateral-direito. Extinto em 2008, o Terrão atualmente se tornou campo de grama sintética para treinos de times juniores.


BATE-BOLA: FAGNER - LATERAL DO CORINTHIANS, AO L!

‘Espero me presentear e fazer um gol para meu filho no Dia dos Pais’
Como se sente no ‘ex-Terrão’?

Eu fico muito feliz de estar vivendo um momento muito bom hoje. Vir aqui me traz muitas lembranças. Ver a casinha que eu me trocava, toda criançada brincando com tampinha de garrafa com a mão, fazendo golzinho... Passa um filme de toda a minha infância, de tudo que abri mão para viver o que estou vivendo hoje. Tenho enorme gratidão ao Corinthians, pelo que fizeram a mim como pessoa. Quando você leva a sério, você aprende muito mais do que jogar bola, aprende a ter obrigações, horários... Isso me fez crescer muito como homem.

Como você deu certo para subir? Pensou em sair antes de chegar ao profissional?

Tinha um campeonato que se chamava Mercosul e eu estava na expectativa de ser inscrito, já treinava havia mais de um ano. Mas fiquei fora da lista. Um cara sugeriu ao meu pai para eu jogar por um time da prefeitura, o Joerg Bruder, no mesmo campeonato. O Corinthians aceitou, eu segui treinando lá, mas fui nesse outro time para ser inscrito e o pessoal gostou. Era um time da prefeitura, que não iria brigar por nada, mas eu só queria participar. Quando comecei, claro, pensava em poder jogar contra o Corinthians para mostrar que tinha condição de ter sido inscrito.

E como foi seu desempenho no torneio?

Por curiosidade, eu comecei jogando de atacante. No primeiro jogo, contra o Juventus, eu entrei e depois empatamos. No segundo jogo, eu fui titular, como atacante, e viramos o tempo perdendo o tempo de 3 a 0. O treinador me perguntou se eu jogaria de lateral, eu falei que era lateral, e mudei de posição. Nós viramos para 6 a 3 e eu fiz três gols como lateral (risos). Até dei passe para gol. Depois, chegamos à semifinal e enfrentei o... Corinthians! O jogo foi 2 a 2. Eu fiz um gol e dei passe para outro. Aquele jogo me ajudou. Nós perdemos nos pênaltis, saímos, mas eu fui eleito como o destaque do campeonato. As coisas começaram a mudar.

Quem era aquele jogador que você mais olhava no Terrão?

Jô (atacante) foi um que marcou bem. Quando é mais novo, você olha e fala “Olha, é aquele que todo mundo fala”. Você nunca imagina que vai chegar lá. Eu jogava por prazer, por gostar, mas nunca achava que seria profissional.

E como você costumava ir aos treinos?

Meu pai era meio doido (risos). Eu tinha nove anos, saía do Jardim Capelinha (Zona Sul), pegava dois ônibus, metrô e vinha para cá andando do metrô Carrão até aqui. A cada ponto que parava, eu ligava para a loja dele para avisar que estava bem. Passava outro terminal, chegava ao metrô, mesma coisa. Na hora de ir embora, eu ia com o pessoal que ia para o metrô. Era escuro, perigoso, mas ia acompanhado. Era uma longa viagem... Depois, vim morar em Itaquera e ficou mais fácil, foi melhorando a situação.

A estrutura hoje em dia é bem melhor para os garotos da base.
Antes, futebol não era tão negócio quanto é hoje. Digo em termos de empresários, todas essas coisas. Hoje em dia, um menino com 12 anos se destaca e já tem tudo. Na minha época, a gente vinha treinar como criança. Por mais que quisessem formar, eram crianças jogando, brincando. Treinar no Terrão, a bola pingando, dificuldade para dominar...

Você espera trazer seu filho para conhecer onde começou?

Tenho vontade de mostrar para ele que não foi fácil. Quando ele estiver mais velho, quero contar como foi minha história, como tudo começou. É bom para ele dar valor, se ele quiser um dia ser jogador também. Não que tudo que eu faça é correto, mas para ele saber o que é correto. O mais importante nessa fase é a criança ser criança, jogar por diversão. Se as coisas acontecerem, tem de apoiar depois. Se meu filho quiser ser médico, advogado ou jogador, eu vou apoiar.

Ele costuma cobrar gols do pai. Será que vai sair contra o São Paulo, no Dia dos Pais?

Tomara! Ficaria muito feliz. Meu primeiro gol foi contra o São Paulo e ainda não fiz nenhum nesse Brasileiro. Se Deus quiser, espero me dar esse presente como Dia dos Pais e para todos os pais corintianos. Espero chegar em casa e abraçar os meus filhos comemorando uma vitória.


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