15/3/2014 08:44

"O que agente quer é segurança ". F. Santos volta e fala sobre a invasão

Fábio Santos no CT do Corinthians

No próximo domingo, Fábio Santos voltará a ser uma espécie de capitão sem faixa no Corinthians. Líder do elenco, o lateral passou os últimos cinco meses recuperando-se de diferentes lesões. De volta, ele é um dos poucos do elenco que fala abertamente sobre o que aconteceu na invasão ao CT, e pede segurança para poder trabalhar.

'O que a gente quer é uma segurança maior para trabalhar em paz. Não vir assustado depois de perder o jogo dentro do ônibus porque talvez tenha uma emboscada na estrada. Ou estar no campo preocupado se aguem vai invadir', disse Fábio Santos, em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

Fábio Santos jogou pela última vez em outubro do ano passado, na eliminação do Corinthians diante do Grêmio, pela Copa do Brasil. Naquela oportunidade, porém, ainda não estava 100% fisicamente. O lateral vem de uma pubalgia e duas hérnias na região abdominal e viu Uendel começar 2014 como titular.

Foi na condição de paciente do departamento médico que ele viu a invasão ao CT, que marcou o início de temporada do Corinthians. Fábio Santos estava chegando para treinar quando a confusão começou e teve de se esconder no hotel junto com os goleiros alvinegros.

De volta, ele deve assumir um papel importante na equipe. Mano Menezes destacou, durante a semana, a capacidade do lateral de 'fazer a leitura do jogo e passar para os outros'. Com o elenco em mutação e Ralf desconfortável como capitão (o volante já disse não gostar do posto), ele poderia ser o dono da faixa. O técnico, porém, prefere que ela fique com alguém que atue na faixa central do campo.

'Com a faixa ou não eu sei da minha responsabilidade de falar pelos outros, ter essa liderança. Não sei se a faixa é o mais importante. Desde moleque sempre fui um dos caras que falou. Às vezes isso é bom às vezes é ruim', disse Fábio Santos.

Na entrevista a seguir, ele fala o que sentiu no dia, avalia as mudanças no elenco do Corinthians e diz o que espera de seu retorno aos gramados.

Leia na íntegra:

UOL Esporte: Como foi passar os últimos cinco meses fora de atividade?
Fábio Santos: Estar machucado é sempre muito ruim, você tem de vir aqui dois períodos, fora ter de assistir a tudo pela TV. No ano passado a gente teve um momento complicado, é difícil ver tudo e não conseguir ajudar. Voltei em janeiro e deu outra hérnia, precisou de outra cirurgia. Era uma lesão complicada, a gente sabia que demoraria mais.

UOL Esporte: Com tanto tempo no departamento médico, você deve ter ficado bem próximo do Renato Augusto, que também passou bastante tempo por lá.
Fábio Santos: No ano passado a gente já tinha uma relação próxima, concentrava junto. Falei que estava concentrando mais sozinho, porque ele vivia machucado. [Risos] Queimei a língua, fiquei machucado igual. Hoje ele é dos jogadores mais próximos, até porque os que eram mais próximos foram embora.

UOL Esporte: No ano passado você chegou a forçar a barra para poder jogar?
Fábio Santos: Fiz uma cirurgia em setembro [no púbis], fiquei 20 dias parado e voltei contra o São Paulo. O fisioterapeuta me avisou que eu só poderia jogar 60 minutos, senão teria consequência. Eu acabei jogando 90 minutos e piorou. Aí eu fui tratando porque tinha um jogo importante contra o Grêmio. Ali eu já entrei quase sem condições, só piorou ainda mais.

UOL Esporte: Se arrepende de ter agido assim?
Fábio Santos: Não, porque era um jogo que eu queria jogar. Eu não sou cara de ficar fora, mas foi o preço que eu tive de pagar. No momento a equipe precisava, então não me arrependo não.

UOL Esporte: Como vai ser a volta? O Corinthians tem sofrido muitos gols pelas laterais e há uma expectativa de que você ajude nisso.
Fábio Santos: Tem de tomar cuidado quando cria uma expectativa muito grande. Faz cinco meses que não jogo, demora para ter ritmo, apesar do entrosamento com o pessoal da minha posição. Mas não vai ser em um ou dois jogos que vou voltar e salvar a defesa. Não é assim que funciona. Mas estou confiante em fazer uma boa temporada. A preparação foi muito boa e eu vou pegando o ritmo.

UOL Esporte: O que achou do Uendel, que ocupou a posição nesse começo de ano?
Fábio Santos: Já conhecia o Uendel, joguei com ele no Grêmio. É um jogador que fisicamente tem as minhas características. Não é de muita explosão, mas é muito técnico. É que ele tem essa qualidade de apoiar mais, gosta de jogar mais na frente e eu tenho uma função mais tática. Mas ele fez belos jogos no começo do ano e vai ajudar muito durante a temporada.

UOL Esporte: Chegou a ver que o Mano te elogiou, falando da sua leitura de jogo e da capacidade de passar isso para os outros?
Fábio Santos: Eu vi uma matéria que saiu na TV, uma resposta curta dele. Fiquei sabendo mais pelo pessoal da assessoria. É legal, uma responsabilidade maior ainda. É bom para o ego, para a vaidade.

UOL Esporte: O Ralf já disse que não gosta muito de ser o capitão. Se vê nessa função?
Fábio Santos: Não pensei, na verdade. No ano passado a gente fazia um rodizio. Quatro ou cinco nomes costumavam ser capitães e o Alessandro assumia em jogos importantes. Não é uma coisa que pensei. Com a faixa ou não, eu sei da minha responsabilidade de falar pelos outros, ter essa liderança. Não sei se a faixa é o mais importante.

UOL Esporte: Mas você se sente um pouco capitão mesmo sem a faixa?
Fábio Santos: Sim. Já sei da minha responsabilidade, pelo tempo e pela característica. Desde moleque sempre fui um dos caras que falou. Às vezes isso é bom e às vezes é ruim. Não sei.

UOL Esporte: Sua ascendência sobre o grupo pode ter aumentado por causa da mudança que teve no elenco, com vários remanescentes do Mundial de 2012 de saída. O que você achou dessa reformulação?
Fábio Santos: Não sei se reformulação é a palavra certa porque parece uma punição porque ganhou. E deveria ser: perdeu, sai, ganhou, fica. Acho que ia ser natural a mudança. Daquele grupo tinha só uns dois ou três abaixo dos 30. Seria natural que, conforme o tempo passasse, tivesse essa mudança. Foi o que aconteceu. Saíram uns, chegaram outros. Ficaram uns como Danilo e Emerson, que são importante para que passem a mensagem de como funcione a coisa. Quem está há mais tempo sabe como é o clube e tenta deixar quem chega mais tranquilo.

UOL Esporte: Nesse processo, o episódio da invasão foi marcante. Como você viveu aquele dia?
Fábio Santos: Foi terrível, um dos piores da minha carreira. É uma lembrança negativa. Eu tinha marcado com o [Bruno, fisioterapeuta do clube] Mazzioti. O treino ia começar 9h30, então eu ia chegar 9h40 para ter uma atenção mais especial.

Porque o pessoal chega e vai treinar e eu fico mais sozinho ali na fisioterapia. Eu estava entrando no CT. Bem quando eu estava estacionando os goleiros foram correndo para o hotel. Eu saí junto com eles. Eles ficaram trancados em um quarto e eu no outro. Foi punk. Foi terror puro, porque a gente não sabia o que ia acontecer, o pessoal estava muito alucinado. E se encontrasse algum jogador, independentemente de qual fosse, iriam...
Não sei se agredir, mas seria uma cobrança mais forte do que costuma ser. Foi um dia marcante negativamente.

UOL Esporte: Os jogadores têm medo de falarem sobre o que aconteceu por conta de eventuais retaliações das organizadas?
Fábio Santos: Contra a Ponte eu ainda não estava, mas quando a gente combinou de não falar, após o jogo vi muita gente falando que era o momento de falar, de expor o que aconteceu. Mas não são todos que conseguem expressar da maneira certa.

Poderiam falar algo que prejudicaria e criaria um caso maior do que já foi. Por isso resolvemos esperar as coisas acontecerem, tentarem achar quem causou esse tumulto, para depois darmos nossa opinião. Mas sem dúvida nenhuma que a gente fica receoso de falar alguma coisa e ficar marcado.

UOL Esporte: O que você tem achado do andamento da investigação?
Fábio Santos: Para falar a verdade, é óbvio que a gente quer que achem os culpados, mas isso não é o que me preocupa ou incomoda. O que a gente quer é uma segurança maior para trabalhar em paz. Não vir assustado depois de perder o jogo dentro do ônibus porque talvez tenha uma emboscada na estrada.

Ou estar no campo preocupado se aguem vai invadir. Acho que é mais uma questão de segurança. Quem vai ser punido, ou não, isso é indiferente. Tem de achar uma maneira que isso acabe, não vai ser prendendo dois ou três que vai resolver. Mas é claro que alguém tem de pagar pelo que aconteceu.


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