20/6/2026 15:14
Justiça suspende Assembleia que votaria novo Estatuto do Corinthians com grandes mudanças
Uma liminar do TJ-SP suspendeu a Assembleia Geral do Corinthians que votaria a reforma do Estatuto. O impasse envolve o Cori e regras para as eleições.
Os bastidores políticos do Corinthians pegaram fogo na véspera daquela que prometia ser uma das votações mais importantes da história recente do clube. O presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, confirma a suspensão da Assembleia Geral dos associados que estava marcada para este sábado, 20 de junho. O pleito, que colocaria em votação a tão arrastada reforma estatutária do clube, foi cancelado após uma decisão ríspida do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que concedeu tutela de urgência a um grupo de conselheiros vitalícios.
O impasse jurídico foi provocado pelos conselheiros Ademir de Carvalho Benedito, Alexandre Husni e Guilherme Gonçalves Strenger. No despacho, o desembargador Mauricio Campos da Silva Velho admite haver "indícios relevantes de descumprimento de regramento procedimental". A acusação aponta que o rito interno foi atropelado, ignorando o artigo 97 do próprio Estatuto, que confere ao Conselho de Orientação (Cori) a exclusividade para propor alterações estatutárias antes que elas cheguem ao plenário.
A decisão judicial atinge em cheio temas cruciais que estão em jogo para o futuro alvinegro. Entre os tópicos mais explosivos da pauta estava a inclusão do direito de voto para o Fiel Torcedor já nas eleições de 2026 — uma bandeira histórica que enfrenta forte resistência interna ruidosa. Além disso, o novo texto prevê a redução de cadeiras no Conselho de 300 para 200, veta a regulamentação imediata de uma SAF e abre uma exceção para viabilizar a reeleição do presidente interino Osmar Stabile.
Em nota oficial, Tuma Júnior tentou acalmar os ânimos e pregou diálogo para que o acordo travado não comprometa o pleito de novembro. O Corinthians reage alegando que cumpriu toda a logística para a realização do evento, mas acatou a ordem judicial. Sem uma nova data no horizonte, o processo de reforma — que já se arrasta por quase uma década — volta para a gaveta jurídica, deixando a governança e o comando do clube sob forte neblina política.
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