A iminente votação da reforma do estatuto do Corinthians, prevista para o último sábado, foi suspensa por uma decisão judicial proferida na segunda-feira. O juiz Luis Fernando Nardelli, da 3ª Vara Cível do Foro Regional do Tatuapé, aceitou o pedido de suspensão apresentado por Felipe Ezabella, conselheiro do clube, sob a alegação de que a assembleia apresentava "vícios formais relevantes".
As modificações propostas no estatuto foram discutidas em uma série de 11 audiências públicas, que contaram com a participação de torcedores, conselheiros e sócios do clube. As deliberações se tornaram especialmente conflituosas em uma reunião extraordinária, onde o presidente Osmar Stábile e o chefe do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, se envolveram em um acalorado debate, levantando sérias acusações de interferência administrativa.
Durante a referida reunião, Stábile relatou ter sido ameaçado por Tuma, o que culminou em uma situação de hostilidade. Aproximadamente duas semanas depois, o presidente convocou uma votação para o afastamento provisório de Tuma, que foi aprovada com uma expressiva maioria de 135 a 15, além de sete abstenções.
Apesar do resultado da votação de afastamento, Tuma contestou a legalidade do processo, argumentando que a votação desconsiderou os ritos estabelecidos no Estatuto Social e que ele permanecia no cargo sem uma ordem judicial específica. A liderança de Tuma continuou a trabalhar na convocação da assembleia, que foi registrada no dia 11 de março, antes mesmo da votação mencionada.
A pauta da reforma do estatuto abrange temas cruciais para a gestão do clube, incluindo a implementação do voto do Fiel Torcedor nas eleições presidenciais, a possibilidade de criação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF), restrições à reeleição e a responsabilidade dos gestores em situações de administração irregular ou temerária. A decisão judicial representa um obstáculo significativo para a oficialização dessas mudanças.
300 visitas - Fonte: Tudo Timão