O futuro administrativo do Sport Club Corinthians Paulista ganhou um capítulo decisivo nesta terça-feira (6). Os idealizadores do projeto SAFiel apresentaram uma proposta atualizada à diretoria, prometendo não apenas sanear as contas, mas resolver os problemas imediatos que travam o futebol do clube em 2026. O plano central: quitar a dívida com a Caixa Econômica Federal, que supera os R$ 550 milhões, em um prazo recorde de seis meses.
A oferta inclui um "bote salva-vidas" para a atual janela de transferências. Caso o memorando de intenções seja assinado, a SAFiel se compromete a realizar um adiantamento imediato de R$ 40 milhões para liquidar a dívida com o Santos Laguna (México) pelo zagueiro Félix Torres, extinguindo o transfer ban da FIFA que perdura desde agosto.
O Modelo: A SAF nas mãos do Povo
Diferente de outros modelos de SAF no Brasil, a proposta liderada por Carlos Teixeira, Maurício Chamati, Eduardo Salusse e Lucas Brasil foca na democratização do capital. O objetivo é arrecadar R$ 2,5 bilhões através de três frentes:
Reserva Popular: Compra de até 10 ações por torcedor (preços acessíveis).
Varejo Amplo: Para corintianos com maior fôlego financeiro.
Investidores Profissionais: Aportes de grande escala sob regras de governança.
O projeto prevê a separação total entre o futebol e o clube social, com a contratação de executivos de mercado e a criação de quatro conselhos (Administrativo, Fiscal, Cultural e de Governança) eleitos pelos acionistas.
Embates Internos e o "Fator Compliance"
Apesar do apelo popular e da promessa de dinheiro imediato para reforços, a SAFiel encontra barreiras no Parque Jorge. O departamento de compliance do clube emitiu um parecer com "red flags" (alertas de risco), sugerindo que a diretoria não avance com o acordo.
Em contrapartida, os idealizadores afirmam que todos os pontos foram esclarecidos e que o projeto é a única via para evitar o sufocamento financeiro. A decisão agora está nas mãos do presidente Osmar Stabile e do Conselho Deliberativo. Se aceito, o Corinthians poderá se tornar a maior SAF do mundo em número de proprietários, unindo a quitação da Neo Química Arena ao fortalecimento imediato do elenco para as competições de 2026.
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