Uma auditoria conduzida pelo Sport Club Corinthians Paulista revelou uma série de irregularidades na administração dos materiais esportivos fornecidos pela Nike, destacando um desvio excessivo de dívida em relação à cota contratual. O relatório indicou que o clube retirou itens em quantidades que alcançam quase 300% a mais do que o estipulado, enquanto as categorias de base e outras modalidades enfrentam sérias dificuldades para obter uniformes adequados.
Entre as irregularidades detectadas, sete ocorrências foram classificadas como graves. Estas incluem o acúmulo de materiais de coleções anteriores sem destinação definida, a má distribuição de uniformes entre as modalidades esportivas, a ausência de um inventário físico formal no almoxarifado, e o não lançamento de notas fiscais, que causaram inconsistências contábeis e fiscais. Além disso, o relatório aponta para uma distribuição desigual de uniformes e retiradas de materiais antes da conclusão dos trâmites de aprovação.
Armando Mendonça, vice-presidente responsável pela gestão dos materiais, foi destacado no relatório devido a ações que sugerem inconformidades, incluindo a retirada de itens sem a devida formalização. Durante o processo, ele demonstrou preocupação com a auditoria, e algumas de suas interações foram descritas como agressivas, criando um ambiente de intimidação.
O clube recebeu mais de 41 mil itens da Nike em 2025, um aumento significativo em relação ao ano anterior, totalizando cerca de 23 milhões de reais em materiais esportivos, atingindo um excedente de quase 16 milhões em relação ao limite anual de quatro milhões. Apesar dessa grande quantidade de produtos, a auditoria destacou que muitos setores, especialmente nas categorias de base, não receberam os uniformes necessários para treinos e competições.
Por exemplo, atletas de algumas modalidades, como esportes aquáticos, estão sem uniformes oficiais, e o clube chegou a comprar materiais licenciados para suprir essa demanda, o que representa um custo adicional. A auditoria também identificou que o Corinthians precisava, em uma ocasião, alterar seu uniforme para uma partida devido à falta de camisas suficientes em estoque.
A investigação revelou ainda a existência de comércio clandestino de materiais pertencentes ao clube, com funcionários intermediando vendas de itens da Nike. O relatório lista 17 recomendações de melhoria para os processos internos, com foco em fortalecer o controle e a transparência na gestão de materiais.
O presidente Osmar Stabile, após receber o relatório, encaminhou as informações ao Conselho Deliberativo do Corinthians para apuração das denúncias. Em sua defesa, Armando Mendonça refutou as acusações, alegando que sua função era apenas auxiliar no controle das retiradas de materiais e que não era responsável pelas diretrizes de distribuição.



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