A passagem de Dorival Júnior pela seleção brasileira, muito ruim, não deve servir de régua para medir expectativas nesta chegada do treinador ao Corinthians . São realidades diferentes. Apesar de a memória recente sugerir o contrário, o Timão contratou um bom técnico – um dos melhores do Brasil (com a ressalva de que a concorrência não é muito animadora). A tendência é de que Dorival melhore a equipe. O anúncio de sua contratação, nesta segunda-feira, carrega um simbolismo involuntário: acontece um dia depois de o Corinthians, desnorteado, levar 4 a 0 do Flamengo, escancarar a urgência por um treinador e ilustrar o tanto que está separado dos favoritos ao título brasileiro.
A distância vista em campo no Maracanã é maior do que a diferença entre elencos. O Corinthians está aquém de alguns rivais, mas o que mais importa no momento é que ele está aquém de suas possibilidades. Este talvez seja o primeiro passo para Dorival: fazer com que o Corinthians relembre sua capacidade. O 2025 do Timão é bipolar. Mas isso traz uma vantagem: ele já mostrou à torcida aquilo que o time tem de melhor e de pior. Se Dorival assistiu às finais do Campeonato Paulista, viu que este Corinthians conseguiu formar uma equipe altamente competitiva – capaz de evitar que um adversário com a qualidade do Palmeiras a ameaçasse no jogo de volta da decisão. É, porém, o mesmo Corinthians eliminado na fase prévia da Libertadores. E batido em casa pelo Huracán na Sul-Americana. E facilmente superado pelo Palmeiras no reencontro com o rival.
E derrotado em casa pelo Fluminense no Brasileirão. E atropelado pelo Flamengo. O Corinthians, ao se desorganizar, deixou de competir – e ao deixar de competir, se tornou frágil defensivamente. Nos nove jogos feitos desde a final do Paulistão, só não levou gols em dois: contra Vasco e Racing-URU, dois times fracos. Dorival precisa começar arrumando o Corinthians pela defesa. Feito isso, a tendência é de que a equipe também melhore do meio para a frente, onde está sua maior qualidade.
Assim, é natural que se torne candidato às primeiras colocações no Brasileirão – provavelmente postulante a uma vaga na Libertadores. O torcedor não deve esperar uma equipe excepcional, tampouco estratégias mirabolantes. Dorival geralmente é um treinador de estruturas simples e funcionais, de times organizados, acima da média – que jogam bem com mais frequência do que jogam mal.
Isso foi suficiente para formar um currículo vencedor – incluindo um título de Libertadores (Flamengo) e três de Copa do Brasil (Santos, Flamengo e São Paulo). Além disso, é um treinador de bom ambiente. Os jogadores costumam gostar dele. No Corinthians, onde crises políticas se sucedem, onde instabilidades se avolumam, a capacidade de criar paz será um atributo tão importante quanto as decisões táticas.



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