Com mais de R$ 2 bilhões de dívida, o Corinthians está sendo cobrado na Justiça até mesmo pela empresa que foi contratada para auxiliar o clube a se reestruturar financeiramente. A consultoria KPMG, que prestou serviços ao Corinthians entre maio de 2021 e o fim de 2023, moveu ação de execução contra o clube para receber R$ 1,5 milhão. A dívida foi confessada pelo Timão em documento assinado em 30 de dezembro do ano passado, antepenúltimo dia da gestão presidida por Duilio Monteiro Alves.
Ao tomar posse em 2024, o presidente Augusto Melo optou por não continuar com os serviços da empresa e contratou uma outra consultoria para o lugar: a Ernst & Young. Na petição apresentada à Justiça, a KPMG pede que o pagamento seja feito em até três dias e que, se isso não ocorrer, a empresa possa indicar bens do clube para serem penhorados. O Corinthians tem como padrão não comentar processo judiciais em andamento.
Em nota, Duilio Monteiro Alves explicou a dívida e que o valor pendente era de conhecimento da atual gestão que, segundo o ex-presidente, preferiu direcionar os recursos para outras áreas. Existe um falso debate aqui. Fim de mandato também é mandato. Assim como assinei o contrato com a Ezze Seguros no último mês do meu mandato, para que as receitas ficassem à disposição do meu sucessor, assinei também renegociações. Só que elas não foram levadas a sério por quem preferiu gastar R$ 130 milhões no time que empatou ontem sem sequer separar R$ 1,5 milhão para uma empresa que foi fundamental no acordo que fizemos em 2022 com a Caixa. E pelo que vejo, tampouco tentaram acerto com os credores que mandaram mensagens e não tiveram resposta.
Aí é um modelo de gestão que eles escolheram, o de deixar estourar na Justiça. Relembro a todos que, durante a transição de gestão, a atual diretoria foi informada de tudo, inclusive pelos profissionais que permanecem nos departamentos jurídico e financeiro do Corinthians. Entre uma gestão e outra, o Corinthians fez uma transição elogiada pela própria diretoria atual e manteve a memória (inclusive eletrônica) de todas as suas obrigações. Só que eles parecem priorizar outros pagamentos.