3/12/2021 11:52

Relembre como foi o penta da resistência no Corinthians

Dez anos atrás, o Corinthians superou a crise pós-Tolima para dar início à idolatria por Tite com a conquista da quinta taça do Brasileirão no dia da morte do ídolo Sócrates

A imagem é histórica: 22 jogadores posicionados no círculo central do gramado do Pacaembu, em uma tarde de domingo. Os de branco e preto com o braço direito erguido e o punho cerrado. Um sinal universal de resistência, força, união e solidariedade. Uma lembrança às comemorações de Sócrates, gênio contestador e ídolo do Corinthians.



Aquele 4 de dezembro de 2011 começou triste. Em um dia de definição no Campeonato Brasileiro, com Corinthians e Vasco duelando até a última rodada pelo título e com um Dérbi com cara de final em São Paulo, o Esporte Espetacular começou naquela manhã com uma notícia devastadora.


"Morreu hoje, às 4h30, o ex-jogador Sócrates, o maior ídolo da história do Corinthians”, anunciavam os apresentadores.


No gramado do Pacaembu, o gesto se iniciou entre os jogadores e ganhou as arquibancadas. Emocionados, torcedores também ergueram os braços e homenagearam o Doutor. “É, Só-cra-tes”, gritavam.



A bola rolou como havia de ser, e o empate por 0 a 0 entre Corinthians e Palmeiras levou o Timão aos 71 pontos. No Rio, o Vasco só empatou com o Flamengo, chegando a 69. Timão pentacampeão.


Em um ano também de resistência, que começou com humilhação na Libertadores, contou com a manutenção de Tite e terminou com um título brasileiro diante do maior rival, aquele 4 de dezembro de emoções opostas tinha simbolismo especial. Uma tarde de luto e alegria. Com lágrimas de perda e de vitória.


Exatamente como Sócrates queria, segundo uma versão consagrada ao longo dos anos e propagada pelos torcedores, de que ele gostaria de "morrer em um domingo, e com o Corinthians campeão".


RESISTÊNCIA

A geração corintiana que viveria seu auge em 2012 com os títulos da Libertadores e do Mundial da Fifa foi se moldando com dores e derrotas. Tudo começou em 2010, no ano do centenário.


Depois de iniciar muito bem o Brasileirão, perder Mano Menezes para a seleção brasileira e ter resultados ruins com Adilson Batista, o técnico Tite chegou ao Corinthians para brigar pelo título nas oito rodadas finais. Eram sete jogos sem vitória, com o time despencando da liderança para a terceira colocação.


Após cinco vitórias e dois empates, o Timão chegou à última rodada ainda com chance de título, mas só empatou contra o Goiás no Serra Dourada, em jogo marcado por uma falha do goleiro Julio Cesar. Taça para o Fluminense e apenas a terceira posição para o Corinthians, o que obrigava a equipe a jogar a fase preliminar da Libertadores em 2011.


Aí, nessa fase, tudo desabou. Eliminado pelo modesto Deportes Tolima, da Colômbia, sendo o primeiro brasileiro a cair tão preocemente na competição sul-americana, o Timão viu o mundo desmoronar. Protestos, ameaças, crise. Acuado, o pentacampeão Roberto Carlos foi para a Rússia. Ronaldo, aos 34 anos, abalou o futebol com a notícia de sua aposentadoria.


"Lembro de olhar para os refletores depois do apito final (contra o Tolima) e pensar: "É isso, estou acabado", disse Tite em 2018, em depoimento ao "The Players Tribune".



Mas Adenor, contrariando todas as expectativas de torcedores e imprensa, foi bancado por Andrés Sanchez, presidente à época.

"No dia em que falei que não seria mandado embora, ele não acreditava. Estava de malas prontas. Falei: "Trate de ganhar, porque se você não ganhar, você vai ser um cara burro e eu também". Se não tivéssemos sido campeões naquele ano, ele estaria massacrado e eu, mais ainda", relembrou Andrés Sanchez, anos depois, dizendo ainda que Mano e Muricy Ramalho opinaram que o dirigente não deveria trocar o comando do time naquele momento.


Quatro dias após a eliminação precoce, um clássico contra o Palmeiras marcou a temporada. Julio Cesar fechou a meta e, aos 38 minutos do segundo tempo, o lateral-direito Alessandro fez um de seus quatro gols na passagem pelo Corinthians. O mais importante. O que retornou o time às águas calmas.


A campanha no Paulistão foi boa, o time cresceu, eliminou o mesmo Palmeiras nos pênaltis na semifinal no famoso jogo do "fala muito" de Tite para Felipão, mas esbarrou no Santos de Neymar na grande decisão.


No Pacaembu, empate sem gols. Na Vila, derrota por 2 a 1 com nova falha de Julio Cesar. Mais um baque para uma equipe que uma semana depois estrearia no Brasileiro contra o Grêmio, no Olímpico.


A JULIO O QUE É DE CESAR

Cria do terrão, Julio Cesar foi bicampeão da Copa São Paulo (a Copinha) em 2004 e 2005. Alçado ao profissional, foi reserva de vários goleiros até a saída de Felipe, em 2010. Assumiu a posição na reta final do Brasileirão aquele ano, mas falhou no jogo decisivo, contra o Goiás. Numa bola recuada em que ele poderia pegar com a mão, deu chute desajeitado e viu Felipe Amorim abrir o placar. Dentinho fez o 1 a 1, e o Timão ficou só em terceiro na tabela final de classificação.


Aos 26 anos, manteve-se na meta do Timão em 2011 e fazia um bom Paulistão até a final. O Santos vencia por 1 a 0 na Vila quando, aos 37 do segundo tempo, Neymar bateu uma bola fraca, e Julio Cesar aceitou. Morais ainda descontou três minutos depois, mas a derrota deu o título ao Santos. E jogou ainda mais pressão sobre o goleiro corintiano.


"Depois de falhar contra o Santos, eu tive uma semana horrível, não tinha vontade nem de sair de casa. Num certo dia, o Tite me chamou na sala dele e eu pensei: "Não vou mais ser titular". Ele olhou para a minha cara e falou: "Agora tu tá pronto. Você errou, sabe que errou, sabe o que é preciso melhorar e sabe o que é pressão. Você se tornou um goleiro com experiência. Corrija seus erros e continue firme, você será nosso titular". E me deu confiança. Entrei na sala dele esperando uma cobrança e ele me deu moral para jogar o campeonato", contou Julio ao ge.


A resposta foi positiva. O Corinthians teve um início espetacular no Brasileirão. Nos dez primeiros jogos, venceu nove e empatou apenas um. Julio Cesar sofreu só quatro gols no período. E num jogo em que o Corinthians venceu o Botafogo por 2 a 0, em São Januário, o goleiro protagonizou um momento que ficou eternizado na memória do torcedor.


"Tive uma luxação exposta na mão (no dedo mínimo), tinha até uma parte do osso para fora da pele, isso me assustou muito quando tirei a luva. Lembro da dor, lembro do meu dedo voltando para o lugar, lembro depois ter feito uma interceptação num cruzamento e lembro do gol do Paulinho, logo depois, que nos deu tranquilidade na partida. Tenho muito orgulho desse episódio. Esse jogo ajudou para que o torcedor se identificasse mais comigo", falou o goleiro, hoje no Bragantino.



A luxação tirou Julio Cesar de cinco partidas no Campeonato Brasileiro. Com dedo imobilizado, teve de sofrer como torcedor. Contratado naquela temporada como uma aposta do Avaí, o goleiro Renan, de 20 anos, foi titular nas derrotas para Cruzeiro (0 a 1), Avaí (3 a 2) e na vitória contra o América-MG (2 a 1). Alguns erros, porém, abreviaram sua história no clube.


"Contra o Cruzeiro, o Tite me pediu para jogar um pouco adiantado e joguei, não foi falha, foi mais mérito do Wallyson, mas perdemos o jogo e no Corinthians tudo é mais. Contra o América-MG tive uma saída errada em que trombei com Leandro Castán, e contra o Avaí não vejo falha em nenhum dos gols. Mas a expectativa era muito grande no Renan, esperava-se melhor desempenho. Acho que eu podia ter tido uma sequência maior", relembrou Renan ao ge no ano passado.


Danilo Fernandes foi o goleiro do Corinthians nos empates contra Athletico-PR (1 a 1) e Santos (0 a 0) até Julio Cesar retornar à posição de titular no empate por 2 a 2 contra o Ceará. Foi o título de maior protagonismo do goleiro com a camisa alvinegra. No ano seguinte, faria toda a primeira fase da Libertadores até perder a vaga definitivamente para Cássio.



TITEBILIDADE

Adenor Bachi já havia sido técnico do Corinthians de 2004 a 2005, deixando boa impressão. Sua demissão do Timão que se formava galáctico foi peculiar. Era 27 de fevereiro de 2005 quando, aos 43 minutos do segundo tempo, Coelho teve a chance de empatar um jogo que, no Morumbi, o São Paulo vencia por 1 a 0. O lateral bateu mal o pênalti. Rogério Ceni, que vivia talvez o melhor ano de sua carreira, caiu no canto esquerdo e agarrou a bola.


Kia Joorabchian, homem forte da MSI (Media Sports Investments), parceira do clube, entrou no vestiário para mostrar a sua insatisfação. Ele queria que Carlitos Tevez, joia argentina adquirida por 20 milhões de dólares, tivesse batido. Tite ficou incomodado com a invasão ao seu ambiente e houve bate-boca. Uma reunião no dia seguinte selou a demissão.


Mais experiente, o gaúcho voltou em 2010 para tentar salvar o ano do centenário com o título brasileiro, mas fracassou. As lamentações seguiram na Libertadores e no Paulistão. Assim, o clima no início do Brasileiro não era de total confiança.


"Quando a gente recebeu a tabela, o pensamento foi: "Vai ser difícil". Começava com Grêmio no Olímpico, tinha o Coritiba que tinha a melhor campanha dos estaduais num jogo em Araraquara, tinha Flamengo... Mas conseguimos ganhar nove e empatar um neste início", lembrou Cleber Xavier, até hoje auxiliar técnico de Tite, na seleção brasileira.


Entre as primeiras vitórias, a mais marcante foi num clássico. Em 26 de junho, o Timão fez 5 a 0 no São Paulo, no Pacaembu, com gols de Danilo, três de Liedson e um de Jorge Henrique – este em frango de Ceni.


Emerson Sheik, em seu terceiro jogo com a camisa do Timão, saiu do banco a aplicou três canetas, duas delas seguidas em Rodrigo Caio. Para a festa dos corintianos.


Além de Sheik, contratado em maio, a diretoria contratou nomes como o meia Alex, ex-Internacional, o lateral-esquerdo Ramon, que estava no Vasco, e o meio-campista Edenílson, que vinha do Caxias. E, desde março, tentava deixar apto para o jogo o nome que movimentava mais o marketing do clube naquela temporada: o de Adriano Imperador.





Das 21 vitórias, 17 delas foram pela diferença de apenas um gol (1 a 0, 2 a 1 ou 3 a 2). Era um time que ganhava no limite, o que dava ainda mais sabor para cada conquista suada. Foram seis vitórias de virada, o que mostrava o espírito de reação da equipe. Em agosto, em Minas, o time saiu de um 2 a 0 adverso contra o Atlético-MG para uma vitória por 3 a 2.


– Aquele time foi criando uma identidade de se defender muito bem, era uma equipe difícil de tomar gol, e a gente acabava fazendo. Era uma equipe muito consistente na fase defensiva e, às vezes, a gente jogava por uma bola, por uma oportunidade. Quando saía na frente, dificilmente tomava gol. Todo mundo fazia sua parte muito bem – lembrou Danilo.


Ao todo, o Corinthians passou 27 das 38 rodadas na liderança do Brasileirão. Após o bom início, chegou a abrir sete pontos na ponta, mas perdeu fôlego, oscilou e ganhou concorrentes como Vasco, São Paulo, Flamengo e Botafogo. Na reta final, a briga foi direta e exclusiva com o clube cruz-maltino, que chegou a liderar por seis rodadas.


A partir da 32ª rodada, porém, após vencer o Avaí por 2 a 1, o Timão se manteve na ponta até o título.


– É um campeonato longo, não tínhamos ainda uma equipe totalmente montada. Então da mesma maneira que foi surpreendente o ótimo início de campeonato, a oscilação era natural de acontecer mais para frente. Os times entenderam nossa forma de jogar, mas por ter criado uma gordura no começo do campeonato, nós mesmo perdendo a liderança sempre ficamos próximos ao líder, nunca deixamos de brigar. O jogo contra o Avaí foi um dos mais marcantes da campanha. Tivemos jogador expulso (Castán), gol do Líedson no final, uma chuva durante o segundo tempo todo, a torcida sem parar de cantar um minuto. Foi quando assumimos a liderança novamente e levamos até o final do campeonato – lembrou Fábio Santos.


O time base tinha Julio Cesar, Alessandro, Chicão (Paulo André), Leandro Castán e Fábio Santos; Ralf, Paulinho e Danilo; Emerson Sheik, Willian e Liedson. O meia Alex e o atacante Jorge Henrique também tinham status de titulares.


Aquele foi o primeiro dos seis títulos de Tite pelo Corinthians. Uma conquista que abriu caminho para o ano glorioso de 2012 e para o ótimo primeiro semestre de 2013. Após um hiato de um ano, o treinador voltaria em 2015 para mais um título brasileiro, desta vez com uma equipe mais técnica. Com 378 jogos, tornou-se o maior técnico da história do clube.





O CAPITÃO

Tite implementou em 2012, 2013, 2015 e 2016 um rodízio na tarja de capitão no Corinthians. O dono da braçadeira variava de jogo para jogo. Isso começou após um episódio ocorrido em 2011, ano em que o zagueiro Chicão herdou a tarja com a aposentadoria de Ronaldo. No clube desde 2008, o zagueiro era um símbolo de liderança dentro e fora de campo.


A relação do camisa 3 com Tite, porém, ficou abalada em setembro daquele ano.





Depois de o Corinthians perder por 3 a 1 para o Santos, de virada, no Pacaembu, e cair para terceiro na conclusão da 24ª rodada, Tite voltou a ser alvo da Fiel e chegou a correr risco de demissão. Para o clássico seguinte, diante do São Paulo, no Morumbi, o técnico colocaria Chicão no banco e apostaria numa defesa com Alessandro, Wallace, Paulo André e Leandro Castán.


Chateado, Chicão alegou que não estava com cabeça e, na concentração, pediu para ser dispensado no banco. Tite acatou o pedido, mas tirou dele a tarja de capitão e deixou o jogador fora de quatro partidas. Paulo André e Castán passaram a formar a dupla titular. O empate sem gols no Morumbi foi importante na somatória de pontos e salvou o emprego do treinador.


– Quem comanda tem que tomar decisões difíceis. Um afastamento temporário, como foi o caso dele, vai de uma relação de comando, de tu querer resposta, buscar resposta. Chicão sempre foi um grande jogador, mas houve esse pequeno ponto negativo. Sempre que a gente afasta um atleta, nunca quer que seja definitivo, quer que ele repense, que haja entendimento, que ele volte e o grupo fique mais forte. O objetivo é sempre o grupo. Não é uma liderança ditatorial, é uma liderança de convencimento, quer convencer que aquilo que estamos passando é o correto – falou Cleber Xavier.


Chicão também tirou lições desse episódio. Aos poucos, foi reconquistando a confiança do treinador. Tanto que formou ao lado de Castán a dupla de zaga titular na Libertadores de 2012 e, no Mundial, jogou ao lado de Paulo André.


– Foi um baita de um aprendizado. Hoje eu falo que boa parte da imprensa agora entende o que aconteceu naquele dia. Nos Jogos Olímpicos tivemos a Simone Biles (ginasta norte-americana) declarando que não estava bem emocionalmente, pois o esporte de rendimento cobra muito. E quando eu falei lá atrás, fui muito criticado. Mas é o futebol, algumas pessoas vivem de polêmica, e eu aprendi muito. No esporte de alto rendimento você é cobrado todo dia – comentou o ex-zagueiro.


– Eu não me arrependo, me arrependo só de não ter ido para o jogo (com a delegação), mas de não ter ido para o banco, não. Fui sincero, fui verdadeiro e não tinha condições mesmo. Espero que as pessoas hoje tenham entendido essa situação de dez anos atrás. Eu e Tite nos falamos até hoje, ganhei até uma camiseta dele da Seleção para fazer uma ação social. Não ficou ressentimento nenhum. Todos fomos verdadeiros e leais. Sem dúvida, crescemos muito nesta situação – completou.


A tarja de capitão acabou no braço do lateral-direito Alessandro. Na cerimônia de entrega do troféu, em dezembro, na CBF, Andrés Sanchez passou a taça aos jogadores. Alessandro e Chicão ergueram juntos, num gesto de muito significado.


– Foi tudo natural, o grupo era muito bacana. Fui capitão o primeiro turno todinho. Foi ótimo levantar a taça junto, mas estávamos representando o grupo todo. O mais importante foi que a taça veio. O sentimento foi de dever cumprido – afirmou.



Imperador

Foi uma passagem tímida, mas meteórica pelo Corinthians. Em menos de um ano, Adriano disputou oito jogos e marcou dois gols. Um deles, porém, é apontado como gol de título. Foi na vitória por 2 a 1 contra o Atlético-MG, na 36ª rodada.


Aquele foi um dos raros momentos em que o Imperador ganhou destaque pelo Corinthians dentro de campo. Na maior parte do tempo em que esteve no clube, foi notícia por atos de indisciplina, sobrepeso e dificuldades para voltar a jogar.


Após sair da italiana Roma, Adriano chegou ao Timão no fim de março. Menos de um mês depois, sofreu uma grave lesão. Durante um treino leve no CT Joaquim Grava, enquanto corria no campo, ele rompeu o tendão de Aquiles do pé esquerdo e teve de ser operado. O Imperador ficaria no mínimo cinco meses longe dos gramados.


– Adriano nunca tinha passado por um processo daquele na carreira. Era também uma guerra mental de disciplina, para ter uma constância e uma dedicação a tudo que se exigiria dele no processo de reabilitação – analisou o fisioterapeuta Bruno Mazziotti em papo recente com o ge.


O ex-atacante chegou a ser flagrado andando com o pé imobilizado por gesso quando o recomendado pelos médicos era realizar repouso total. Também faltou a dezenas de sessões de fisioterapia. Os comportamentos inadequados fizeram com que a volta de Adriano aos campos demorasse quase oito meses. Foram quatro jogos naquele Brasileirão. E um gol.


O gol, aliás. Aos 43 minutos do segundo tempo. Que marcou uma vitória de virada, por 2 a 1, fundamental para a conquista do pentacampeonato. Na comemoração, Adriano tirou a camisa e deixou evidente a sua barriga avantajada.


– Ganhamos, depois fomos campeões, mas no jornal do dia seguinte ao jogo saiu uma foto do Adriano que fez o Fábio Mahseredjian (preparador físico) dizer: "Fiquei com vergonha". E eu falei: "Eu também" – contou Tite, em 2015, ao "LANCE!".





– Ele ficou no banco naquele jogo por uma circunstância. Não tínhamos pivô. Mas a gente não pode deixar um atleta com sobrepeso. Existem algumas exigências. Eu posso estar (fora de forma), mas ele não – completou o treinador.


Na verdade, mesmo com a ausência de um pivô, Tite não plenejava levar Adriano para aquele jogo. O Imperador, aliás, nem sequer estava na primeira lista de relacionados para a partida, como conta Roberto de Andrade, diretor de futebol do Corinthians em 2011 e no mesmo cargo na atual gestão:


– Na véspera, quando o Tite faz a convocação dos atletas, eu recebi a relação dos jogadores e não estava o Adriano. Pedi, então, para o Edu (Gaspar, então gerente de futebol) chamar o Tite na sala. Ele veio, fechou a porta, e eu falei: “Professor, faça uma gentileza, não é por nada, não gosto de me meter em escalação e nem é isso o que estou pedindo, mas vamos incluir o Adriano na convocação. Para ele ir junto conosco no ônibus, no vestiário, até para animar o cara, que está voltando, se se recuperando.” Ele ponderou e falou: "Você tem razão, vamos levar." De levar, já virou banco. E de banco virou o autor do gol da vitória. Você vê como é?


Além de Adriano, outro herói improvável da campanha foi o peruano Ramírez, autor do gol da vitória por 1 a 0 contra o Ceará, uma rodada antes, na 35ª. O gol saiu aos 36 minutos do segundo tempo e manteve o Timão no topo da tabela.



O PENTA

O título poderia ter saído na 37ª rodada. O Corinthians bateu o Figueirense por 1 a 0, com gol de Liedson, mas a dramática vitória do Vasco sobre o Fluminense por 2 a 1, no Engenhão, atrapalhou a festa paulista em Florianópolis.


Os mais de seis mil corintianos presentes no estádio Orlando Scarpelli já comemoravam o título. Os jogadores do Corinthians, após o apito do árbitro, mantiveram-se no gramado à espera de notícias vindas do Rio de Janeiro, onde Vasco e Fluminense empatavam por 1 a 1. Aos 45 minutos do segundo tempo, Bernardo fez 2 a 1 para o Vasco e adiou a decisão.


– Quando a gente ganhou jogo, começou uma certa comemoração, mas aí falaram: "Calma, ainda falta pouco tempo". Aí o Vasco fez o gol. Quando entramos no vestiário, parecia que a gente tinha perdido o título. Estava todo mundo pronto para comemorar, aí ficamos em silêncio até alguém falar: "Bora! (sic) Tem decisão contra o Palmeiras no domingo. Vamos levantar a cabeça. O título não veio hoje, mas vem semana que vem". Claro que é mais gostoso ser contra o Palmeiras, mas tinha um rival do outro lado que o único dever era tirar o seu título. A gente não queria levar para a última rodada. No final das contas, foi mais saboroso, mas queríamos ter ganhado já em Florianópolis – relembrou Julio Cesar.


A preocupação existia também entre a comissão técnica, como revela Cleber Xavier. O Timão jogaria a decisão sem Ralf, Danilo e Emerson Sheik, todos suspensos.


– Quem está no futebol há muito tempo disputando clássicos sabe que não tem favoritismo, não adianta, por melhor que seja o seu momento. Fomos para o clássico contra o Palmeiras com uma pressão enorme. Em 2006, nós que levamos o Valdivia para o Palmeiras, um jogador de qualidade imensa, com temperamento forte. Tivemos que trabalhar nesse sentido: "Eles estão com o sangue mais doce, não podemos perder". Tínhamos preocupação com provocação dele e que ele desequilibrasse com uma assistência ou gol – lembrou o auxiliar.


Veio 4 de dezembro e as notícias ao amanhecer. A homenagem a Sócrates partiu do estafe corintiano. O então assessor de imprensa Guilherme Prado deu a ideia ao zagueiro Paulo André, que repassou ao grupo de jogadores.


Com a bola rolando, muita disputa. Valdivia, o camisa 10 do Verdão, foi expulso no início do segundo tempo, após entrada forte em Jorge Henrique. Mesmo com um a menos, o Palmeiras assustou com bola na trave. Wallace também levou vermelho pelo Corinthians por entrada dura em Maikon Leite. O rival chegou a marcar, com Henrique, mas a arbitragem marcou impedimento de Fernandão no início da jogada. O 0 a 0 persistiu.


No fim, Jorge Henrique deu chute no vácuo, à la Valdivia, e a confusão se formou. Ele, Leandro Castán e João Victor (Palmeiras) também levaram cartão vermelho.




O empate levou o Timão a 71 pontos. No Rio, o Vasco ficou no 1 a 1 com o Flamengo e chegou apenas a 69. O título brasileiro abriria caminho para alegrias ainda maiores para o Corinthians na temporada seguinte, quando Timão e Vasco se cruzariam novamente na Libertadores, na fase quartas de final.

– Esse título nos credenciou para chegar bem mais fortes na Libertadores de 2012. No começo do Brasileirão de 2011 não estávamos tão prontos para aquela invencibilidade de dez jogos, por isso tivemos a oscilação no campeonato. Tudo isso nos deu confiança para o ano seguinte, amadureceu a equipe. Vencer o Brasileiro foi fundamental para conquistar a Libertadores e o mundo em 2012 – concluiu Fábio Santos, hoje novamente titular do Timão, aos 36 anos.



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