27/11/2020 16:32

Eleições no Corinthians: saiba tudo sobre o atual cenário político do clube antes da votação

Fundado por cinco operários, em 1910, o Corinthians logo cresceu e se tornou um clube de massa, tendo milhões de loucos e fieis espalhados pelo Brasil e pelo mundo. Porém, as rédeas do Timão pertencem a poucos: um presidente, dois vices, 12 diretores, 200 conselheiros trienais e algo em torno de 120 conselheiros vitalícios.



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A cada três anos, o poder muda de mãos, em eleições nas quais apenas os sócios do clube social (diferente dos membros do Fiel Torcedor) podem participar. É o que acontecerá neste sábado, das 9h às 17h, quando são esperados aproximadamente 2,5 mil corintianos no Parque São Jorge – cerca de 6 mil têm direito a voto, mas menos da metade deve comparecer às urnas.

Eles elegerão o sucessor de Andrés Sanchez na presidência do Timão e oito chapas de 25 conselheiros cada, sendo outras duas eleitas como suplentes.

Da disputa entre Augusto Melo, Duilio Monteiro Alves e Mario Gobbi sairá o responsável não só por montar a equipe que move mais de 30 milhões de torcedores até 2023, mas também por gerir um faturamento de fazer inveja a muitas empresas de grande porte, na casa dos R$ 500 milhões ao ano.

Embora o presidente alvinegro não receba um centavo sequer, dezenas de corintianos dedicam tempo e dinheiro na busca pelo poder, movidos não só pela paixão, mas também atrás da influência e do prestígio que o controle do clube oferece.

Abaixo, apresentamos um guia básico para entender a política corintiana, mostrando como se dá a divisão de poder no Parque São Jorge e apresentando alguns dos personagens centrais dos bastidores alvinegros. Confira!

Quem manda?

O presidente tem amplos poderes no Corinthians. É ele quem nomeia os diretores (que precisam ser sócios do clube) e decide onde os recursos do clube serão investidos.

Dependendo de quem é o dono da caneta, as decisões são ainda mais centralizadas, como é no caso de Andrés Sanchez. Além de fazer questão de estar presente no dia a dia do futebol, ele também participa de negociações dos departamentos de marketing e financeiro e acompanha de perto o funcionamento do clube social (de onde saem os votos na eleição).

Mas o presidente já teve vida mais fácil no Timão. Desde a última eleição, o sistema político corintiano mudou, dando maior espaço para a oposição. Antigamente, o candidato que vencia a eleição levava as 200 cadeiras do Conselho Deliberativo, no que era chamado de "chapão". Agora, com as "chapinhas", o poder precisa ser compartilhado, já que nem todos os conselheiros eleitos são do grupo político da situação.

Cabe aos conselheiros a votação dos orçamentos e balanços financeiros do clube. Em caso de reprovação, pode ser aberto um processo de impeachment contra o presidente. É deste grupo que também saem os membros do Conselho Fiscal e a Comissão de Ética e Disciplina.

Se por um lado democratiza a gestão e tende a aumentar a fiscalização interna, essa divisão de poder pode gerar fisiologismo e apadrinhamento no clube, na visão de alguns críticos, que apontam a existência de troca de favores e cargos por apoio político.

O próprio presidente Andrés Sanchez diz há meses que "o clube ficou ingovernável" com o novo sistema e alega que outra pessoa não conseguiria lidar com a situação como ele lidou.

Oposição... mas nem tanto

Diretor de futebol do Corinthians até setembro, Duilio Monteiro Alves é o candidato da situação na eleição deste sábado. Porém, os outros dois presidenciáveis já ocuparam cargos no clube tendo Andrés Sanchez como aliado.

Mario Gobbi foi um dos fundadores do Renovação e Transparência, grupo que comanda o Timão desde 2007, diretor de futebol no primeiro mandato de Andrés e o sucedeu na presidência entre os anos de 2012 e 2015. Até hoje os dois têm uma relação recíproca de respeito.

As alianças não se limitam aos candidatos. Um dos principais financiadores da campanha de Gobbi, Sergio Janikian, ex-diretor de futebol do Timão, foi também um dos principais doadores da campanha de André Luiz de Oliveira, o André Negão, a vereador de São Paulo neste mês. Janikian doou R$ 25 mil reais ao atual diretor administrativo do clube, que não se elegeu.

Compondo a chapa como um dos vice-presidentes, ao lado de Felipe Ezabella, o advogado Luiz Alberto Bussab, que já foi diretor de relações institucionais e jurídico do Corinthians, é amigo de Duilio e advoga para o candidato da situação em causas de cunho pessoal. Ezabella, por sua vez, também advogado, já foi diretor de esportes terrestres no início da gestão Andrés Sanchez.

Com Augusto Melo não é diferente. Ele foi assessor das categorias de base do Corinthians entre 2015 e 2016 e tem boa relação com Sanchez. O mesmo acontece com seus dois vices, os advogados José Neri e Ricardo Maritan. Todos já transitaram na situação.

As relações, porém, não impedem os candidatos que se dizem de oposição de exercerem, de fato, tal papel. Grupos menores também buscam abrir espaço no clube e, principalmente, no Conselho Deliberativo para uma maior atuação. É o caso de Herói Vicente, advogado e coordenador de uma das chapinhas que concorrem ao pleito.

O adiamento da reunião da votação das contas do ano passado se deu, de acordo com o presidente do Conselho, Antônio Goulart, porque o grupo de Herói expôs como votaram os conselheiros, criando um ambiente de "perigo" e um clima "pouco amistoso" para que fossem feitas quaisquer deliberações antes da votação do dia 28.

Centrão

Segundo colocado nas eleições presidenciais de 2018, o empresário Paulo Garcia costurou logo após o pleito um acordo com o presidente Andrés Sanchez para que seu grupo o apoiasse no Conselho. Sem ele, o presidente teria minoria no órgão e poderia ter dificuldade para governar. Em troca, aliados de Paulo Garcia ocuparam cargos na Mesa do Conselho e também na diretoria, com destaque para o departamento social.

Três anos depois, Garcia mudou de lado e optou por apoiar a candidatura de Mario Gobbi.

Inicialmente, Paulo concorreria novamente ao pleito. Ele chegou a manifestar sua intenção em duas cartas enviadas aos sócios, mas não inscreveu sua candidatura e tampouco foi escolhido como o candidato da situação, hoje Duilio. A partir disso, com força política e "livre no mercado", tornou-se peça chave na disputa eleitoral de 2020.

Mario Gobbi, que chegou a criticar o fato de o Corinthians ser governado por "dois grandes grupos", em alusão aos de Andrés e Paulo, costurou pouco a pouco sua aliança com o empresário. Garcia tratou o tema com discrição por vários meses, sem aparições públicas ou alarde. Manteve conversas com Duilio, chegou a jantar com Andrés, mas, enfim, convenceu-se pelo delegado, com direito a vídeo nas redes sociais e e-mail disparado a associados do clube.

Figurões da política corintiana, como Antônio Roque Citadini, foram importantes no processo. Paulo e Mario nem sempre foram próximos. Pelo contrário. Divergências de ideias tiveram de ser superadas para concretizar a aliança.

Citadini, por sua vez, chegou a declarar apoio a Augusto Melo no lançamento da campanha do candidato, mas mudou de opinião nos últimos meses. Na eleição passada, Melo havia sido vice de Citadini na chapa.

Quando desistiu da candidatura, Paulo chegou a cogitar lançar um de seus aliados à presidência: Emerson Piovesan. O ex-diretor financeiro no mandato de Roberto de Andrade chegou a aceitar o desafio, mas, horas depois, alegou questões familiares para abandonar a disputa.

As idas e vindas, mudanças no curso das eleições e a intensa movimentação política fizeram com que Paulo deixasse seu grupo livre para apoiar qualquer um dos três candidatos. Neste cenário, um de seus alicerces, Antônio Rachid, lançou-se ao lado de Duilio e trouxe consigo um robusto grupo de apoiadores.

Não há união nos grupos de Paulo. Em uma eleição com projeção de disputa voto a voto, o racha deixa o cenário ainda mais incerto. Porém, seja lá qual for o vencedor neste sábado, é bem provável que o próximo presidente alvinegro tenha que buscar o apoio desta corrente política.

Mas, afinal, por que Paulo?

Parte de uma família tradicional na política corintiana, o dono da rede de lojas Kalunga é visto como alguém capaz de atrair sócios mais distantes do clube, aqueles que pouco frequentam a sede social, e teria consigo uma enorme base de dados dos associados.

Além disso, exerce controle e influência sobre ao menos três chapinhas que concorrem às vagas no Conselho Deliberativo. Tudo isso o credencia a "figurão" do Parque São Jorge, mesmo diante de pouca aparição pública e praticamente nenhuma entrevista.

Democracia corintiana?

Se o Corinthians se orgulha de ter mais de 30 milhões de torcedores, por que apenas 0,02% deles têm direito a voto?

O estatuto alvinegro determina que só podem participar da eleição os sócios patrimoniais e remidos (que não precisam pagar mensalidade) do clube social com mais de 18 anos, admitidos há mais de cinco anos e que se encontrem no "gozo de todos os direitos estatutários". Também é preciso estar com todas as obrigações financeiras em dia até dois meses antes da eleição. Dependentes não têm direito ao voto.

Uma das maneiras de tornar o Corinthians ainda mais democrático, na visão de alguns torcedores, seria dar ao sócio-torcedor o direito a voto. Isso aumentaria de maneira significativa o colégio eleitoral do Timão.

O presidente pode a qualquer tempo levantar o debate, mas a mudança precisaria ser levada ao Conselho Deliberativo e, posteriormente, aprovada também pelos sócios do clube em Assembleia Geral.

Os três candidatos à presidência foram questionados pela reportagem do ge sobre a possibilidade de o Fiel Torcedor ter direito a voto. Embora se digam abertos à proposta, nenhum deles prometeu encampar tal ideia.

• Augusto Melo afirmou que pretende tornar o clube social mais acessível ao sócio comum em termos financeiros para, assim, aumentar o quadro associativo. Ele também pretende dar direito a voto aos dependentes dos títulos patrimoniais (em 90% dos casos, são as esposas);

• Duilio Monteiro se comprometeu a levantar a discussão se for eleito e declarou que tentará chegar a um consenso com os conselheiros e sócios;

• Já Mario Gobbi se comprometeu a abrir um "ciclo de palestras" para falar sobre o tema, gerando mais aceitação dentro do Parque São Jorge à ideia.

Para concorrer ao pleito, além de cumprir com todos os requisitos acima dos votantes, também é preciso ter a ficha limpa. O candidato não pode ter nenhuma condenação criminal em transitado julgado (quando não cabe mais recurso) nos oito anos anteriores à eleição. Não pode também, no mesmo intervalo de tempo, ter sido "excluído do exercício da profissão" por decisão da Justiça ou "descumprimento da ética profissional". O mesmo vale para cargos públicos. A inelegibilidade criminal não se aplica a sentenças culposas (quando não há intenção).

Todos os requisitos foram criteriosamente analisados pela Comissão Eleitoral, presidida neste pleito pelo conselheiro vitalício Romeu Tuma Júnior. Foi a comissão, por exemplo, quem autorizou uma troca na chapa de Augusto Melo depois de encerrado o prazo de inscrição, por questões de interpretação estatutárias: a desembargadora Maria Tereza do Amaral deu lugar a Maritan.

E a representatividade?

Além do participação política do torcedor, outro tema que passou a ser discutido com mais frequência entre torcedores nos últimos tempos é a representatividade de gênero e raça no comando do clube.

Em seus 110 anos de história, o Corinthians teve apenas uma presidente mulher, Marlene Matheus, falecida no ano passado. Em 2018, Andrés Sanchez escolheu duas vices, mas voltou atrás e deixou apenas Edna Murad. O Conselho Deliberativo conta com 11 mulheres atualmente, oito em fim de mandato e três vitalícias.

Das 19 chapinhas que concorrem ao Conselho, quatro nem sequer têm mulheres entre os 25 membros e apenas seis têm duas ou mais entre a listagem.

Para a Juíza Federal Alcina Beres, uma mudança de estatuto seria necessária. Ela concorre a uma vaga no conselho pela chapa "Resgata Corinthians 23", a segunda com mais mulheres entre os membros (quatro), ficando atrás apenas da chapa de Edna, com cinco, a "Aqui é Corinthians".

As eleições de sábado traduzem o primeiro passo, com o aumento das candidatas ao Conselho. Mas ainda muito longe do ideal. Assim como na sociedade, em que a mulher não atinge níveis efetivos de representação. Quadro injusto. As mulheres estão no clube com os filhos, pais e sabem, como ninguém, onde estão as falhas. Desde a falta de água ou as péssimas condições dos banheiros a uma escolha equivocada no departamento de marketing. Apenas 10% dos sócios com direito a voto são mulheres. As demais, por não serem as titulares, apenas espreitam o voto do marido. Uma alteração nos estatutos, conferindo direito a voto às mulheres, que integram o título familiar, seria o primeiro instrumento a traduzir sensível mudança a evidenciar a participação feminina no reduto masculino do Parque São Jorge.

O Corinthians também nunca teve um presidente negro em sua história.

Tivemos com André Negão algo próximo disso, ao ser vice do Roberto de Andrade. Se a gente mirar os olhos para a nossa sociedade civil, multinacionais, bancos, outros clubes e setores da sociedade, são muito poucos os negros em cargos e posições de alta gestão e cargos executivos. É uma questão histórica. O negro vem muito lentamente alcançando espaço em esferas maiores, cargos de presidência, CEO's de empresas. Acaba refletindo em outras áreas – analisa Sílvio Romoaldo Júnior, o Silvinho, um dos conselheiros negros do clube, que ainda complementa:



Temos negros no clube, conselheiros ou que já foram que reúnem condições de virarem presidente. Eu poderia ser candidato à presidência. Corinthians é uma nação. Segundo cargo mais importante do país. Para mim, é primeiro. Para ser presidente do Corinthians, é preciso ser diferente. Ser preparado para isso, fazer parte da vida política do clube, conhecer todos os setores do clube. Corinthians é um clube poliesportivo. Área financeira, contábil. Tem que ter vivência no futebol, nos meandros do futebol. É preciso estar preparado para poder chegar a esse cargo. Independente de cor e raça. Quem sabe, a história vai continuar... Até o momento não foi possível, mas quem sabe nos próximos 10 ou 20 anos?


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2070 visitas - Fonte: Globoesporte.com

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Kleber Vellenev     

Esse cara mijada do Andrés é malandro; deixou para fazer o anúncio com à caixa um dia antes da eleição! Adeus petista de merda !

Kleber Vellenev     

Vou torcer para o único competente para tirar o clube desta vergonha, Augusto Melo!

Ronaldo fenomenal, tem moral

Ocimar Melo     

Estao todos cm nosso elenco. Todos horríveis, ruins demais,, sem muita opção. O Duilio talvez seja o menos ruim. Jovem, tem uma boa relação com os jogadores.

Alê Ricardo     

Duílio é o menos pior

Vanderlei Assis     

Dificil pq todos sao ruins , o Duili

Walter Amin     

Duílio Monteiro Alves é o melhor candidato disparado. Íntegro, honesto, competente e tem o apoio de todos os jogadores do elenco.

Nenhum dese treis não vale pra precidente ok temos que colocar Ronaldo fenômeno ok

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