5/8/2020 09:12

Até nome de torneio em orfanato: onde Avelar é herói muito antes de Corinthians x Palmeiras play

Não fosse pela pandemia do novo coronavírus, Paranavaí teria dado início mês passado a quinta edição da Copa Avelar, torneio que homenageia Danilo Avelar, prata da casa e destaque na zaga do Corinthians desde que a temporada do futebol no Brasil foi retomada.



Corinthians e Palmeiras fazem o primeiro jogo da decisão do Campeonato Paulista nesta quarta-feira (5), às 21h30 (de Brasília). No sábado (8), os rivais voltam a se enfrentar no Allianz Parque, às 16h30, pela taça.

A competição reuniu em sua última edição 700 jovens, de 9 até 15 anos, em quatro categorias, além de times femininos sub-16. O nome não é apenas uma homenagem ao jogador. Ele é também o “mecenas” da competição e já compareceu algumas vezes na cerimônia de premiação, além de dar a preleção para jovens.

“Quando o Danilo vem para Paranavaí, ele não se coloca como jogador de alto nível, como jogador do Corinthians. Ele volta a ser um cidadão simples, andando pela cidade. Respeita todo mundo, e tem o respeito pela simplicidade. Atende fãs, tira fotos, mas é alguém comum”, diz Aparecido Souza, conhecido como Kokan, 53, o primeiro técnico do zagueiro no futebol.

Uma das creches que participa da Copa Avelar é a “Casa da Criança”, no bairro Jardim Farropilha. Coincidentemente, é o antigo orfanato da cidade, onde Kokan cresceu, passando dos 8 até os 14 anos de idade, até ser adotado por uma família.

Avelar e Kokan se conheceram há quase duas décadas. O corintiano tinha 15 anos e praticava futsal em um time chamado de São Lucas, em Paranavaí. Foi nessa etapa da vida que desenvolveu a perna canhota por causa de uma queimadura no pé.

O que o levou até Kokan é que o treinador conduzia uma das peneiras mais famosas da região. O mundo do futebol, do qual fez parte como ponta-direita nos anos 80, o ajudou com conhecimento e contatos.

Kokan passou por 14 clubes até se aposentar. Foi quando decidiu virar técnico e acabou se especializando em descobrir talentos.

“Quando o Danilo apareceu diante de mim, ele queria participar dos treinos, sabendo que a gente dava muita oportunidade para garotos da cidade e tinha um time no Paranaense sub-17. Naquela época, ele era meia, mas eu transformei em lateral”, diz.

“Ele veio do futsal, tinha bom passe, batia bem na bola e era canhoto. Acho que pensou em ser meia porque era natural escolher a posição pelo que ele gostava de fazer, mas vendo o biótipo dele, o tipo físico, a gente sugeriu a lateral ou zagueiro pelo bom posicionamento em campo. Acabou jogando só como lateral e foi bem no campeonato que nós fizemos” completa.

Visto pelo antigo mentor como um jogador dedicado e talentoso, Kokan revelou uma característica que marcou muito mais aqueles primeiros meses de convívio com Avelar.

“Ele sempre foi muito educado, muito humilde e vinha de uma família com boas condições financeiras, mas a maioria dos meninos que treinavam comigo eram muito pobres, de famílias sem condições e estrutura. O Danilo vinha treinar com uma mochila e trazia uma blusa, uma camiseta ou chuteira já velha e dava para aqueles garotos, muitos nordestinos”, diz Kokan.

César Sampaio e voos maiores
Depois de um tempo treinando e até de ter participado de um campeonato sub-17, Avelar decidiu batalhar para conseguir um clube porque a equipe de Paranavaí não tinha sub-20. Tentou equipes no Paraná e em Santa Catarina, além de São Paulo.

Kokan também não estava mais em Paranavaí, estava treinando o Cianorte quando a mãe de Danilo Avelar o reencontrou e falou da batalha do filho em busca de um clube. As coisas pareciam complicadas, mas...

“Eu disse para ela que tinha um amigo no futebol, o César, que passaria o contato deles para ele e ele conseguiria algo em São Paulo. Era o César Sampaio e ele arrumou algo no Rio Claro”.

Antes do Rio Claro, onde Sampaio era diretor esportivo, Avelar recebeu “nãos” de Palmeiras e São Paulo, que preferiram apostar em jogadores que estavam há mais tempo na base do que um nome que pouco conheciam.

“O jogo que mudou a vida dele foi uma goleada do Corinthians no Rio Claro por 5 a 0. O resultado rebaixou o time, mas o Danilo jogou bem e conseguiu ir para a Europa. Aí a carreira dele engrenou. Hoje é titular no Corinthians”, exalta Kokan.

Meia, lateral e zagueiro
Kokan não é nada vaidoso por ter sido o primeiro treinador a ver potencial em Avelar para jogar na defesa. Diz que foi guiado pela experiência e nada mais. A verdade é que ele teve visão.

Ao chegar ao Corinthians neste ano, o técnico Tiago Nunes destacou o bom posicionamento de Avelar em campo e disse que ele seria zagueiro. Os planos foram frustrados no início de 2020 porque sofreu uma pubalgia e não pode estar em campo.

Na retomada da temporada, quatro meses após a paralisação por causa da COVID-19, ele virou titular e na zaga. O primeiro jogo foi justamente contra o Palmeiras, em Itaquera. A equipe alvinegra venceu por 1 a 0, e Avelar foi bem.

“Tiago Nunes é um treinador formado no Paraná e muito humilde, algo que falta aos profissionais. Ele teve a humildade de chegar no jogador e ver em que posição ele vai render e ajudar. O Danilo tem bom passe em diagonal, bom cabeceio na parte ofensiva e defensiva, bom posicionamento. Poucos jogadores de defesa tem qualidade assim”, diz Kokan.

Antes criticado por parte da torcida, Avelar viu sorte mudar ao marcar o gol da vitória contra o Palmeiras pelo Campeonato Paulista no Allianz Parque em feveiro do ano passado.

O descobridor de talentos
Kokan está atualmente afastado do trabalho por causa da quarentena. Ele trabalha no Nação Esporte, de Joinville, um projeto que visa revelar talentos. Nesses dias tem passado mais tempo com a esposa Patrícia e o filho em Paranavaí.

“Estou tomando todos os cuidados, pois como trabalho com base o CT tem de ficar fechado. Está sendo bom para eu curtir a família, o filho. Algo que nesses 25 anos de futebol pouco fiz, pois viajava muito”.

Kokan contabiliza pelo menos 36 jogadores que revelou e ficaram famosos no cenário nacional e internacional. Quem teve o treinador como mentor é grato até hoje, casos de Miranda, Zeca, Avelar e mais recentemente Pepê, do Grêmio.

“Eu nunca falo que revelei os atletas. Eu dei uma oportunidade e uma caminho para eles”, diz.



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