Mesmo devendo salários, direitos de imagem e depósitos de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) ao elenco, o Corinthians não teme perder jogadores na Justiça como pode ocorrer com o rival Santos.
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Neste começo de semana, o goleiro Everson e o atacante Eduardo Sasha buscaram a Justiça do Trabalho para rescindir unilateralmente o contrato com o Santos.
No Corinthians, há embasamento legal para ações do mesmo tipo. A Lei Pelé determina que o jogador pode romper o vínculo após atraso de três meses de salário, o que ocorre no Timão desde o último dia 7. Porém, antes mesmo disso já havia dívidas de direitos de imagem e FGTS que permitiriam o pedido de rescisão na Justiça.
O que dá tranquilidade à diretoria é a boa relação entre os cartolas e os jogadores. Tanto o diretor Duílio Monteiro Alves quanto o presidente Andrés Sanchez são próximos ao elenco e costumam falar com frequência com os atletas sobre as pendências financeiras.
Também há uma preocupação entre os dirigentes corintianos em honrar os acordos com o grupo. No Corinthians, a redução salarial por conta da pandemia de coronavírus foi de 30%. Já no Santos, a diretoria combinou este mesmo percentual, mas fez um corte maior, de 70%.
O histórico de bom pagador do clube é outro trunfo corintiano. Até a paralisação do futebol, em março deste ano, o Timão não atrasava salários (embora tivesse outras dívidas).
Em conversas com líderes do elenco, os dirigentes argumentaram que a atual crise econômica afeta todos os clubes e empresas de diferentes segmentos. Também prometeram uma rápida solução, com a utilização do dinheiro da venda de Pedrinho para quitar os débitos.
– Se for ver, o clube está parado há três meses, não entra receita... Não adianta chegarmos aqui e ficar criticando o clube. Vou ser bem honesto: lógico, você quer receber em dia, não só no futebol, em todas as profissões. Estou aqui na minha nona temporada aqui, nunca aconteceu de atrasar um mês – afirmou o goleiro Cássio, em entrevista recente.
– O salário sempre foi certinho. Isso é uma das primeiras coisas que quando um jogador chega a gente conversa. Eles perguntam, e eu falo. Mas infelizmente aconteceu essa situação de estarmos com salários atrasados. Temos conversado com a diretoria, que nos passou algumas situações. Eles estão trabalhando forte para voltar à normalidade e não ter mais atrasos – completou o capitão corintiano, um dos líderes do elenco nas negociações com a diretoria.
Segundo o diretor financeiro do Corinthians, o clube pretende pagar pelo menos uma parcela dos salários atrasados até quarta-feira, data do clássico contra o Palmeiras, em Itaquera.
Se por um lado o Timão tem confiança em acordos amigáveis com atletas do atual elenco, por outro vem sofrendo diversas cobranças judiciais de ex-jogadores. Recentemente, o atacante Jonathas, o volante Paulo Roberto e o meia Giovanni Augusto entraram com ações trabalhistas contra o Timão.
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