28/5/2020 09:44

MAIS QUE FOLCLORE: O amor de Vicente Matheus pelo Timão

Espanhol, que nasceu 112 anos atrás, foi presidente do clube e o acompanhou durante 40 anos

“Haja o que hajar, o Corinthians vai ser campeão”. A frase, que já se tornou folclórica no mundo do futebol, foi proferida pelo icônico dirigente Vicente Matheus durante uma das suas gestões como presidente do clube do Parque São Jorge, entre os anos 1970 e 1990. Apesar disso, a fala diz muito mais sobre o ex-mandatário alvinegro do que a concordância gramatical desta e de outras frases pelas quais ficou famoso, sugerem.



Em um dia 28 de maio de 1908, portanto, há exatos 112 anos, nascia na Espanha Vicente Mateos Valle. Imigrante no Brasil, estabeleceu-se na zona leste da capital paulista como um empresário do ramo da construção civil e da mineração de pedreiras. E lá conheceu o Corinthians, onde começou a atuar no clube nos anos 1950.



A CHEGADA À PRESIDÊNCIA: Amor pelo clube e habilidade no cargo
No final da década, Matheus participava da gestão do presidente Alfredo Ignácio Trindade, no cargo de diretor de futebol. No entanto, ele teve divergências com Trindade ao longo do último mandato, diferenças estas que o fizeram deixar disputar a eleição seguinte como o candidato da oposição ao cargo mais alto do clube, tendo Wadih Helu como seu vice.

Matheus venceu a eleição de 1959 e se tornou, assim, presidente do Corinthians. A partir dali, mostraria sua personalidade: um líder de sangue quente e forte carisma, que conquistava a todos dentro e fora do clube não só com uma linguagem bastante informal, mas também com ações concretas.

Vicente era apaixonado pelo Corinthians. Assim, tinha como principal objetivo tirar o time de futebol da fila sem títulos que havia se iniciado em 1955. Para tanto, colocaria dinheiro do próprio bolso para ajudar a reforçar o elenco. E tinha uma estratégia peculiar, como conta o historiador Fernando Wanner, que cuida do Memorial do clube no Parque São Jorge.



“Ele era um exímio negociador de jogadores. Ele conseguia tomar a frente dos adversários e contratar os grandes jogadores dos anos 1970. Todo mundo que jogava bem contra o Corinthians, ele contratava: Basílio, Geraldão, até mesmo o Rui Rei, que teve uma transação muito polêmica na época. Mas ele seguiu essa linha de contratar para deixar o time mais forte, e os rivais mais fracos”, explica.

“QUEM SAI NA CHUVA É PRA SE QUEIMAR”
A contratação de Basílio com certeza deu muito resultado – ele, naturalmente, foi o responsável por cumprir o objetivo maior de Matheus ao marcar o gol da vitória por 1 a 0 sobre a Ponte Preta na final do Campeonato Paulista de 1977. E a comemoração teve um dos fatos mais engraçados da sua passagem pelo clube.

“Quando Vicente Matheus desceu para o campo para comemorar a conquista do título de 1977, na correria ele acabou perdendo os dois sapatos que calçava no gramado. Dois torcedores pegaram. E um deles veio a entregar um dos pés para a gente recentemente. Agora, ele está exposto no Memorial da Arena Corinthians”, conta.



No entanto, a negociação mais genial do então presidente não foi a do Pé de Anjo – que, inclusive, ganharia mais um título no clube, o Paulistão de 1970. E nem a de Biro-Biro, a quem chegou a chamar de Lero-Lero em certa ocasião. Mas a de um ídolo contemporâneo aos dois atletas.

“Sem dúvida nenhuma a maior contratação da carreira dele foi a do Sócrates. Ele conseguiu se antecipar ao presidente do São Paulo, que também o queria na época: chegou um dia antes em Ribeirão Preto, enganou o presidente do time adversário e finalizou a negociação nem na calada da noite, mas ainda de madrugada”, revela.



A habilidade nas transações também se estendia ao próprio elenco. Considerado “mão fechada”, ele não cedia muito aos pedidos dos atletas nas negociações de contrato. Mas conseguia contornar os problemas que porventura surgissem, falando a linguagem dos boleiros em frases como “o Sócrates é inegociável, invendável e imprestável”, "jogador de futebol tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático e gramático", "Esse é um resultado que agradou a gregos e napolitanos", dentre outras que o deixaram marcado na história do esporte do país.

“DIRIGIR UM CLUBE DE FUTEBOL É UMA FACA DE DOIS LEGUMES”
O carisma de Vicente à frente do Corinthians por vezes dava lugar a uma rigidez que, conta Fernando Wanner, foi responsável por uma das melhores administrações que o clube já teve. Nada era sem motivo: ele controlava minuciosamente os gastos de todos os setores, até os mais inimagináveis. Fernando Wanner conta, em versão confirmada por atletas do clube à época, que ele controlava até os gastos com energia elétrica.

"Uma característica muito marcante dele é que ele economizava cada centavo de gasto do clube. Quando dava 19h, 19h30, ele apagava todas as luzes do clube e dizia que era preciso economizar energia elétrica. E muitas vezes ele apagava a luz do clube inteiro. Isso era uma loucura, mas muitas vezes o clube sobreviveu a algumas crises financeiras do momento por causa dessa administração dele", explica.

"COMIGO OU SEM MIGO O CORINTHIANS SERÁ CAMPEÃO"
Participando de gestões não-sucessivas e em diferentes cargos, Vicente Matheus chegou a ficar por 18 anos no comando do Corinthians. Em sua última passagem como presidente, ele conquistou a primeira grande glória nacional do time: o Campeonato Brasileiro de 1990, primeiro dos sete títulos que o clube conquistou até aqui.

Na maior parte deste período, Vicente teve como companheira Marlene Matheus, sua segunda esposa, com quem se casou em 1968. Três anos depois, ela começou a trabalhar no setor social do clube. Ganharia destaque internamente e, com o marido, formaria um casal que seria a cara do clube por muitos anos.



“PEÇO AOS CORINTHIANOS QUE COMPAREÇAM ÀS URNAS PARA NAUFRAGAR NOSSA CHAPA”
Após desavenças com Wadih Helu, Vicente encontraria na esposa a candidata perfeita para a sequência do trabalho no clube. Assim, em 1991, Marlene Matheus se tornaria a primeira mulher a ser presidente de um clube de futebol no Brasil. Ela realizou um mandato de cerca de dois anos, quando foi substituída por Alberto Dualib.

Vicente e Marlene passariam, então, a ser oposição novamente. Mas atuariam no clube da mesma forma – a esposa, inclusive, foi eleita para o Conselho do clube, onde permaneceu até os últimos anos de vida. Já o lendário ex-presidente alvinegro começaria a ficar doente durante a metade daquela década, e nos deixaria em 1997, aos 88 anos. Marlene, por sua vez, faleceu em 2019, aos 82 anos.



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