30/7/2014 12:56

Mesmo com lei, clubes vão continuar devendo impostos, dizem especialistas

Dilma Rousseff e José Maria Marin na Arena Corinthians, durante a Copa do Mundo

O governo federal está a poucos passos de aprovar uma nova lei de refinanciamento para os clubes de futebol. Com a situação quase insustentável, as diretorias estão pedindo urgência para a votação do novo projeto, que dessa vez tem implicações desportivas, como a perda de pontos e o rebaixamento, com controle da própria Confederação Brasileira de Futebol.

Para especialistas, no entanto, a medida pode até dar fôlego para as agremiações, mas não vai resolver o problema em sua origem. Em pouco tempo, dessa forma, as dívidas serão novamente contraídas. Entre os problemas que contribuem para esse cenário estão: questões tributárias do país e o modelo de gestão, que entre outras coisas, serve para dar concentrar riqueza para as entidades de administração, como as federações estaduais.

"A primeira coisa que a gente tem de esclarecer é que o problema de dívidas tributárias não é exclusivo do futebol. Muito pelo contrário. Empresas do país inteiro sofrem com isso. Não é à toa que o governo federal abriu recentemente a enésima inscrição do Refis, que tem as mesmas base desse projeto que pode ser aprovado no futebol. E ele tem mais: juros e multas foram abatidos pelo governo para as empresas, no que ficou conhecido como o Refis da Copa. Irônico, não é? A questão tributária no Brasil é muito mais profunda e é somente por aí que seria possível resolver de vez o assunto", afirmou Pedro Trengrouse, especialista em gestão desportivo e professor da GV, para o ESPN.com.br.

"Acho sim que uma lei como essa será importante. Não trata do sintoma, mas trata da doença. E o futebol está muito doente e precisa de fato de algo urgente para ser tratado. O problema é que se logo depois ou conjuntamente não for pensado algo para mudar as gestões, isso não valerá de nada. Parceladas as dívidas, a pergunta é: os clubes vão conseguir arrecadar? À parte as questões tributárias, que precisam ser revistas no Brasil, o modelo de funcionamento dos clubes de futebol deveriam mudar radicalmente. A começar pelo fato de que eles estão sustentando um modelo de concentração de riqueza em suas administrações, as federações", completou.

Esse não é o primeiro projeto de ajuda aos clubes. As várias fases da Timemania, por exemplo, também tinham o mesmo objetivo.

"Esse é outro ponto importante. A Timemania, quando chegou, dizia que arrecadaria R$ 500 milhões por ano e resolveria a vida dos clubes. Até hoje ninguém viu esse dinheiro. O que faz ainda mais sentido ter um outro projeto. Afinal, o governo fez todos os clubes confessarem suas dívidas, prometendo algo em troca que nunca apareceu", explicou Trengrouse.

Uma outra questão tem a ver com a pressão do torcedor em cima dos clubes.

"Se o torcedor não perceber que ele tem de olhar o que acontece fora das quatro linhas também, a cultura não vai mudar nunca. E ele não vai ajudar em nada o seu clube a ganhar os campeonatos. O problema é mais embaixo. O projeto tem de sair, não há dúvidas. Mas se outras coisas não forem pensadas, tudo vai ficar igual e vai voltar a ter dívidas muito em breve", disse Michel Matar, coordenador de cursos da Fia e professor de gestão do curso da Federação Paulista de Futebol.

A presidente Dilma Rousseff recebeu na última semana o Bom Senso FC, movimento de atletas, e também alguns clubes de futebol, em discussões separadas. Uma comissão interministerial foi criada para discutir o assunto e a expectativa é de que o projeto seja aprovado na próxima quarta-feira.

2400 visitas - Fonte: ESPN.com.br

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