9/10/2018 13:13

O filho e a história: Jairzinho curte"momento especial em final que opõe Jair Ventura e Cruzeiro

"Um momento especial", definiu Jairzinho a final da Copa do Brasil entre Cruzeiro e Corinthians. De um lado, o clube onde fez história. Do outro, o time comandado pelo filho Jair Ventura. E para quem vai a torcida do "Furacão da Copa"? Não há passado que vença os laços que unem pais e filhos. O ex-atacante vai ficar com o coração apertado, mas não dividido. Ídolo da Raposa na década de 1970, quando conquistou a inesquecível Libertadores de 1976, Jairzinho revela gratidão eterna ao clube celeste, mas a torcida será pelo Corinthians. Afinal, o treinador carrega seu DNA.


"Eu sou família! Primeiro e sempre, a família. O que o Cruzeiro precisar, eu estarei de braços abertos, coração alegre para servir, pois foi o clube que abriu as portas para eu pudesse dar continuidade a minha carreira como jogador, em um período que vocês falam que o jogador tem de parar. Eu fui para o Cruzeiro e fui campeão", recorda Jairzinho em entrevista ao GloboEsporte.com.





Jairzinho e o Cruzeiro
Essa história começou em 1976. Aos 31 anos, após uma passagem frustrada pelo Olympique Marseille, da França, Jairzinho viu uma nova chance se apresentar no Cruzeiro. Ele chegava à Toca da Raposa para substituir o ídolo Dirceu Lopes, que, com problemas físicos, praticamente não jogou naquela temporada. Na Libertadores, aquele time brilhou. Foi campeão ao bater o River Plate, da Argentina, na decisão, com o histórico e inesperado gol de falta de Joãozinho. Jairzinho marcou 12 gols naquela edição do torneio. Palhinha fez 13.

- Era um futebol mais ofensivo. O time jogava com o Piazza e o Zé Carlos na marcação. No ataque, tinha o Eduardo, o Palhinha, o Joãozinho e eu.

Foi a primeira conquista internacional do Cruzeiro. A primeira Libertadores de Jairzinho, que esteve em campo em 12 dos 13 jogos. A única ausência foi justamente no terceiro duelo da final, já que havia sido expulso no segundo, após uma confusão com o zagueiro Roberto Perfumo, do River Plate.

- Minha história no Cruzeiro foi linda, vitoriosa. Eu e meus companheiros contribuímos para que o Cruzeiro alcançasse aquele título maravilhoso de campeão da Libertadores, sem esquecer que fomos também campeões mineiros.

Nasce um Fenômeno
Jairzinho deixou a Raposa no final de 1976. O tempo tinha tudo para separar jogador e clube. Mas, anos depois, o ex-jogador teve participação na chegada de um jovem atacante à Toca da Raposa, em 1993. O garoto Ronaldo, então do modesto São Cristóvão, do Rio de Janeiro, ainda não era o Fenômeno que viria a ganhar o mundo.

- Depois que eu me desvinculei do Cruzeiro, eu ainda ajudei o clube. Vocês devem saber que fui eu que coloquei o Ronaldo Fenômeno no Cruzeiro. Eu sempre contribuí, pois é um clube que faz parte da minha história.

"Agora, é um momento especial, pois vejo meu filho chegando ao patamar da popularidade que ele está alcançando como treinador e jogando uma decisão com o clube que me abriu as portas para eu pudesse dar continuidade a minha carreira como jogador"




"É meu filho"
O destino quis contrapor o filho com parte da história de Jairzinho. E valendo taça. Nesse momento, o ex-atacante celeste deixa o passado de lado. O sangue da família Ventura fala mais alto.

- Eu sou mais corintiano do que você imagina. Neste momento, eu sou corintiano mais do que nunca. É meu filho - reitera o Furacão.

Jairzinho acompanha de perto a evolução de Jair Ventura, que teve curta carreira como jogador e agora tem caminho promissor como treinador. Do começo no Botafogo à possibilidade de título agora pelo Corinthians, Jairzinho avalia o filho técnico.





- Eu também fui crescendo na minha carreira como jogador. A mesma coisa o Jair. Ficou oito anos no Botafogo, servindo em vários segmentos, como preparador físico, depois, por reconhecimento ao trabalho, nas divisões de base, revelando vários jogadores. Gradativamente, ele foi crescendo e colhendo capacidade. Isso moldou o Jair. Ele tirou o Botafogo da Segunda Divisão. Deu continuidade na Primeira Divisão, disputou títulos, mas saiu. As portas se abriram no Santos. Ele avaliou o plantel, pediu algumas peças, mas não foi atendido pela diretoria.

Pouco mais de um mês após deixar o Santos, Jair Ventura foi contratado pelo Corinthians. Com ele no comando, os paulistas eliminaram o Flamengo na semifinal da Copa do Brasil.

- Agora, no Corinthians ele está fazendo um trabalho que é muito forte nele, que é a avaliação do plantel, para que ele possa indicar jogadores para posições carentes. Ele vem tendo esse carma de pegar equipes desequilibradas e vai dando equilíbrio. Vem conseguindo isso no Corinthians e vai decidir um título fantástico com o Cruzeiro - destaca Jairzinho.

Referência
A admiração de Jair Ventura pelo pai vem da infância. E não foi construída, necessariamente, dentro dos gramados. Antes de um grande atacante, Jairzinho foi um grande pai.

- Não só como treinador, mas como pessoa, meu pai é uma referência, primeiro como homem, ser humano. A participação que ele tem na minha formação como treinador é a mesma que tem como pessoa, de ser um cara íntegro, de falar a verdade, de olhar nos olhos. Agora, na parte tática e técnica não tem. Tem mais como pessoa.

O pai famoso provocou pressões externas no jovem Jair, que tentou se desvincular da imagem do "Furacão da Copa" e caminhar sozinho. Por pouco, seu caminho não foi pelos tribunais.



- Meu pai sempre me deixou muito à vontade. A pressão sempre foi muito grande desde pequeno por eu ser filho dele. Ele sempre me deixava à vontade. Nunca me forçou a jogar, isso ou aquilo. Tanto que cheguei a fazer vestibular para Direito. Nem queria ser jogador. Mas a paixão foi me trazendo e hoje sou treinador.

"A participação que ele tem na minha formação como treinador é a mesma que tem como pessoa, de ser um cara íntegro, de falar a verdade, de olhar nos olhos" - Jair Ventura sobre Jairzinho
Jair Ventura conhece a história vitoriosa do pai no Cruzeiro. Sabe que há um carinho e respeito pela camisa celeste. Mas, agora, o momento é o Corinthians.

- Ele tem um título importante lá. Isso é legal, ele jogou em outros clubes também. Eu não trabalhei no Cruzeiro, mas, por ele ter passado lá e ter feito uma carreira vitoriosa, com certeza deve ter um carinho. Agora é cada um para o seu lado e a gente está defendendo o Corinthians. Esse título tem de vir para o lado do Corinthians.

(*) Colaborou Marcelo Braga, de São Paulo

5730 visitas - Fonte: Globo Esporte

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